quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Polêmicas do mundo da alimentação

Bolacha cream cracker com queijo branco é uma comidinha leve, de dieta, certo? Talvez não. Cinco bolachas dessas têm três vezes mais gordura saturada que um pão francês. E uma fatia de queijo branco, um dos ícones da alimentação light, tem três vezes mais colesterol que a mesma porção de requeijão integral. Pouca gente imaginaria. Mas esses exemplos são, na verdade, apenas uma amostra da enorme vala que separa o que os nutricionistas sabem sobre alimentação do senso comum. A dica da vovó, o anúncio da televisão e até mesmo interesses políticos se misturam com pesquisas sérias e confundem o consumidor, ávido por receitas para emagrecer e viver mais. Essa mistura de interesses se transformou em um grande refogado de mitos.

Os enganos começam pela carne. E a principal vítima dos preconceitos é a de porco. Originalmente, ela era gordurosa. Mas há tempos perdeu medidas. A indústria mudou até o nome do produto para ''carne suína'', mas nem assim a população confia no emagrecimento. ''Entre 1963 e 1990, houve a diminuição de 77% da gordura e 53% das calorias do suíno'', afirma Luciano Roppa, veterinário especialista em nutrição animal. ''A seleção genética segue a tendência light do mercado e dá preferência aos animais magros.'' É por isso que pessoas mais velhas reclamam que não se fazem mais toucinhos como antigamente. Antes, a capa de gordura tinha em média 5,5 centímetros - agora tem 1,5 centímetro. O bife de pernil tem hoje a metade da gordura saturada de um bife de filé mignon com o mesmo tamanho. E praticamente metade do colesterol presente na mesma medida de uma coxa de frango com a pele.

A carne, de forma geral, caiu na lista negra da alimentação. Foi execrada por ser fonte de gordura saturada. Em uma pesquisa realizada pela Unicamp 30% dos entrevistados afirmaram considerar a gordura animal ruim para a saúde - mesmo que não soubessem explicar por quê. ''Consumidas em porções ideais, as carnes são mais que saudáveis: são necessárias'', garante Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimento da Unicamp.

Até o frango entrou na polêmica. Corre por aí a informação de que estão dando hormônios para eles crescerem mais rápido. Mas o aditivo nem existe. ''Não há no mundo nenhum hormônio para aves'', explica Leandro Hackenhaar, engenheiro agrônomo e nutricionista da Degussa, produtora de aditivos alimentícios para animais. ''Os frangos crescem rápido porque as granjas trabalham com uma boa seleção genética e alimentação balanceada.''

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/julho2005/clipping050725_epoca.html