terça-feira, 25 de março de 2008

Síndrome do Overtraining: um caso complicado

Há dois tipos de Overtraining:

Comportamental: este tipo é o inimigo mais insidioso. É muito difícil de diagnosticar e ainda mais difícil de curar. Uma vez identificados os fatores sociais, emocionais, ou psicológicos responsáveis pelos problemas de atitude, nada mais do que mudanças de estilo de vida são necessários para corrigí-los. Alguns fatores podem contribuir, ex:Microtraumas cumulativos; lesões ou doença; dieta pobre; problemas comportamentais induzidos por drogas; problemas acadêmicos; financeiros; sexuais; conflitos com pessoas na academia; falta de tempo; ambiente de treino muito frio ou quente; sono insuficiente; ausência de treinador particular e encorajamento; medo do fracasso; medo do sucesso; trabalho extenuante interferindo no treinamento; ausência de metas objetivas e plausíveis de treinamento, etc. A fadiga mental é o termo frequente utilizado para descrever o overtraining comportamental, e os sintomas são letargia, ausência de iniciativa, falta aos treinos, predisposição súbita à lesões, perda de concentração e outras aberrações comportamentais similares. A grande luta do instrutor e do aluno é tentar fazer com que mantenha-se sempre os objetivos sempre em primeiro plano e eliminar os fatores inibitórios da sua vida para colher frutos de sucesso, sempre que possível.

Orgânico: dividido em overtraing de Addison e o de Basedow. O de Adison é mais observado entre atletas mais velhos, atletas de altíssimo nível, e alunos os quais submetem seus organismos a altos níveis de estresse. Os sintomas mais comuns no tipo Addison são:Sensação de fadiga além do normal; anorexia(perda do apetite); nenhum aumento de necessidade de sono; perda de peso corporal indesejada; frequência cardíaca de repouso incomumente baixa; hipotensão (pressão arterial mais baixa que o normal); Nenhuma alteração na temperatura comporal além da normal; Elevação da pressão arterial diastólica logo após um estresse (acima de 100 mmHg); Como nenhuma alteração física do tipo Addison acontece bruscamente é difícil de diagnosticar. Apenas com o treinamento diário e performance completo e monitoramento das funções orgânicas é possível perseber. O tipo Basedow, por outro lado, é mais comum e de mais fácil diagnóstico. Este ocorre na maioria das vezes em alunos novatos e atletas jovens, inexperientes, envolvidos em esportes explosivos e de força ou em atletas menos avançados e facilmente excitáveis. Os sintomas são:Cansaço precoce; aumento excessivo das necessidades de sono; apetite reduzido, frequência cardíaca de repouso elevada; perda de peso súbita; dores de cabeça mais frequentes que o normal; temperatura corporal mais alta que o normal; hipertensão, tempo de reação reduzido; sensível redução na capacidade individual de executar movimentos que exijam maior habilidade ou coordenação. Eles são mais fáceis de diagnosticar pela transparência do número de sintomas.

Como lidar com a fadiga mental e o overtraining: O professor deve aplicar a quantidade adequada de estresse sobre a musculatura de seu aluno de modo a acelerar o processo construtivo e evitar o processo destrutivo. Por causa do ego ávido, geralmente envolvido nas necessidades de auto-afirmação, tanto o overtraing físico quanto comportamental são comuns entre os alunos na academia. O overtrainng pode ser tão devastador para o sucesso de um aluno quanto o subtreinamento.

Abaixo estão algumas diretrizes para o professor a fim de evitar o aparecimento do overtraining e assegurar um processo contínuo dos esforços de seus alunos.
1. através de um planejamento reduzir o número de problemas pessoais que possam interferir no seu treinamento;
2. desenvolver um treinamento baseado na razão e não pelo ego;
3. ouça seu aluno! cuidado para não sobrecarregar o organismo;
4. seguir o treinamento cíclico, a única maneira de evitar os microtraumas cumulativos;
5. manter a harmonia com os demais parceiros da academia;
6. evitar a monotonia no treinamento, aplicar uma grande variedade de métodos de exercícios e sistemas ao seu treinamento;
7. estabelecer metas a curto prazo que sejam atingíveis;
8. permitir ao organismo de seu atleta todas as condições necessárias para a recuperação e crescimento. Isso inclui a alimentação e suplementação.

Cientistas desportivos de todo mundo usam técnicas para monitorar os estados de overtraining em atletas. Estas mesmas técnicas são adequadas aos alunos já que os sintomas do overtraining não conhecem as fronteiras entre os esportes.
São elas:
1. avaliação subjetiva do professor da resposta mental e de comportamento do aluno em relação ao treinamento e a performance;
2. ensinar ao aluno a monitorar a frequência cardíaca tanto basal(antes de levantar da cama) quanto durante a recuperação pó-esforço;
3. monitorar a pressão arterial pela manhã e pós-esforço;
4. medir o pH sanguíneo buscando sinais de acidose metabólica;
5. manter o diário de treinamento atualizado. A atitude comportamental, problemas pessoais, estado mental, e um sem número de fatores mentais e psicológicos normalmente negligenciados, podem ser sinais que um bom instrutor pode ajudar a identificar em seu aluno a fim de evitar os estados do overtraining.

Fonte: http://www.cdof.com.br/consult70.htm#773