quinta-feira, 8 de maio de 2008

A ditadura dos índices de pressão arterial e colesterol

 
 
   
 
Quando alguém resolve ir ao médico fazer um check-up fica logo assustado com os valores de colesterol, pressão arterial e glicemia, isso porque a cada década esses valores mudam para menos. Muda por que será? A quem interessa mudar? Baixar os índices é uma garantia de diminuir os riscos de acidente cardiovascular? Isso é o que pregavam. No entanto os últimos resultados de pesquisa não apontam nessa direção. A maioria das vítimas fatais de infarto tem taxas de colesterol "ditas" normais.

Há trinta anos, quando essa guerra começou, pesquisadores investigaram o que os povos longevos, (chineses, esquimós, japoneses e pigmeus africanos) tinham em comum. Pressão arterial abaixo de 12 por 8, colesterol total em torno de 130 e glicemia de no máximo 100. Com base nisso, a classe médica resolveu adotar esses valores como referência de risco cardíaco. Esqueceram do mais importante. Chineses, esquimós, japoneses e pigmeus africanos têm estilo de vida e fonte de estresse diferente do resto do mundo. 

Taxas de colesterol total supostamente mais altos não condenam de imediato o sujeito ao grupo de risco cardíaco. Depende do perfil de cada um e dos hábitos diários de qualidade de vida. A combinação do colesterol total um pouco mais alto com HDL (colesterol bom) mais alto por conta dos exercícios diários que uma pessoa faça é uma atenuante significativa. Nenhuma medicação até agora provou ser mais eficiente para aumentar o HDL do que o exercício. Em compensação, um sujeito com taxas "ditas"normais à custa de medicação, mas que não faz exercícios físicos e vive estressado, pode ser um candidato ao grupo de risco. Ou seja, o "iro continua saindo pela culatra". 

Muita gente, assustada com os índices alarmantes de colesterol resolveu baixar os valores à custa de medicação e nem por isso ficaram livres de serem acometidos por um acidente cardiovascular. Além disso, taxas muito reduzida pode ser tão nocivas quanto altas demais.   

Em 2003 a população ficou alarmada ao ser noticiado supostos novos valores de Pressão Arterial. Diziam os artigos: "A partir de agora, para quem tem mais de 18 anos, a pressão arterial só é considerada normal se estiver abaixo de 12 por 8". Ou seja, esse patamar, antes considerado normal, passava a ser uma pré-hipertensão.

É preciso ficar com o"pé atrás"e tomar cuidado com certas notícias alarmistas. Em primeiro lugar deve-se desconfiar de quem partiu a pesquisa, qual o interesse e quem financiou. Para algumas pessoas os novos índices são tão baixos sendo impossível atingi-los só controlando a alimentação tendo que recorrer a medicamentos com todos os seus efeitos colaterais.

As pessoas que praticam exercícios físicos de modo regular têm vida regrada, sempre tiveram pressão arterial 120 x 80 mmhg, nunca sentiram absolutamente nada, de uma hora para outra viram pré-hipertensos? Até mesmo valores maiores de pressão arterial tais como 140 x 90 mmhg podem até ser considerado normal dependendo também dos hábitos de vida da pessoa. Tenho alunos personalizados com esse valor, faz exercícios todos os dias, não exageram na comida e tem uma vida normal.

A recomendação com relação à prática de exercícios físicos, alimentação saudável e etc. não é nenhuma novidade. Todos deveriam fazer isso e os relatórios do Colégio Americano de Medicina Esportiva a partir de 95 já apontavam nessa direção. Todo adulto deve acumular pelo menos 30 minutos de atividades físicas de intensidade moderada ou alta na maioria dos dias da semana. E mais. Não precisa ser de uma vez só. Dez minutos de manhã, dez no meio da tarde e dez de noite acumulam os trinta minutos desejados. Vale subir escadas dispensando o elevador, andar curtas distâncias em vez de usar o carro, assim como atividades mais formais e vigorosas, como correr, nadar, pedalar e fazer musculação.

Na verdade, sem provas científicas, o que realmente traz o maior malefício á saúde é o estresse que não sabemos controlar. O homem do campo bebe cachaça, fuma, cozinha com gordura de porco, come muito, mas não tem estresse e não se tem notícia de tanta morte súbita do coração.

É preciso ter cuidado e bom senso com certas informações principalmente na área da saúde. Nada pode ser levada ao "pé da letra". Hoje vale, amanhã não vale nada. Muda tudo!