terça-feira, 29 de julho de 2008

Nova tendência tem cada vez mais adeptos. Eles dão uma 'turbinada' no peitoral, bíceps e até nos glúteos.

Não é de hoje que os homens se mostram mais vaidosos. A nova tendência, depois da depilação masculina, é a prótese de silicone para aumentar o peitoral, a panturrilha, o bíceps, o tríceps e até os glúteos.

A busca pela imagem perfeita e o desejo de ter o corpo forte e malhado, mas sem muita transpiração, é o que motiva esses homens, segundo o cirurgião plástico preferido pela turma masculina do silicone, Ivan Abadesso.

 "A pessoa tem o sonho de ser malhado, vai à academia e não consegue. Aí resolve dessa maneira. Ele fica forte em duas horas. O resultado é bem natural", diz o cirurgião, que cobra em torno de R$ 8 mil por cada operação. A procura pelo serviço aumentou tanto, segundo o médico, que uma vez por semana ele reserva um dia só para atender o público masculino.

"De um ano para cá eu registrei um crescimento de 100%. Alguns homens não querem encontrar mulher no consultório por ter vergonha, então, tenho um dia só para eles", justifica.

A preguiça de malhar, o pouco resultado obtido ou a pressa em ficar forte costumam ser as desculpas de quem se submeteu à cirurgia. Esse é o caso do estudante curitibano Robson Maestrelli, de 23 anos, morador da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, que procurou o silicone depois de passar horas na academia e não ter o resultado esperado.

"Quando eu me mudei para o Rio percebi que as pessoas malhavam muito aqui. Aí eu comecei a malhar, mas não tinha muito resultado. Achei que a cirurgia seria mais prática e menos arriscada do que tomar, por exemplo, anabolizante, que faz mal para o corpo. O resultado da cirurgia é imediato e duradouro. Quem me conhece agora não imagina que tudo isso é prótese. Você não precisa mais malhar com peso e nem fazer força", diz o estudante, que turbinou o peitoral, bíceps e o tríceps.

O estudante não tem receio de assumir sua vaidade e dispara: "Se as mulheres podem colocar silicone para ficarem mais bonitas, porque nós homens não podemos também?", questiona.

Outro que também se entregou à moda do silicone foi o advogado Fernando Francisco Junior, de 47 anos. Morador da Barra da Tijuca, ele fez o peitoral, bíceps, tríceps e até os glúteos. "Era uma ausência de bumbum. A sunga ficava reta e com a calça ficava aquele papo. Além do mais, as mulheres preferem também os homens com bunda", acredita.

Fernando, que foi a primeira vez à sala do cirurgião a procura de uma lipoaspiração, não tem vergonha de dizer que mexeu em quase todo o corpo. Ele explica que uma prótese levou a outra e que academia de ginástica dá preguiça. Muito mais feliz com a nova imagem, o advogado já marcou uma nova cirurgia para tirar algumas gordurinhas da barriga, que deverá ser feita na próxima semana.

"Academia tem aquela agitação. Eu não tenho paciência para aquilo. Dei uma engordada. Aí eu pensei em fazer uma lipo. Tenho vários amigos meus que malham e tem aquele pneu, que é um horror. Quando fui fazer a lipo, aconteceu que nem obra em casa. Já que vai fazer isso, faz aquilo. Aí eu pensei: 'vou fazer a lipo e o peitoral'. Como meus braços eram finos, vou dar uma melhorada. E assim por diante. Eu nunca ia conseguir um corpo definido malhando com a idade que tenho", pondera.

O advogado conta também que uma amiga reprovou sua turbinada e o mandou fazer análise. "Ela chegou para mim e disse que sou um cara bonito e que não precisava disso. Ela falou que, na verdade, eu precisava era de um analista. Eu optei por uma maneira cômoda e cara. Mas que vou ter um resultado mais imediato. Pelo contrário, quero me ver mais bonito. Isso não tem nada de errado", argumenta ele, que gastou um pouco mais de R$ 20 mil nas cirurgias.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Rio de Janeiro, Luiz Mario Bonfate, reconhece que aumentou a procura por parte dos homens pelo silicone, mas ele lembra que, como toda cirurgia, essa também requer cuidados de um centro cirúrgico e pós-operatório.

"É uma cirurgia e, como tal, deve ser feita por um cirurgião qualificado e num hospital. Tem toda uma técnica e uma complexidade que não pode ser feita por qualquer um", explica.

Questionado sobre os perigos desse tipo de cirurgia para o corpo, Bonfate explica que o procedimento é seguro porque o silicone é colocado debaixo do músculo, sem comprometer os movimentos naturais do corpo.