domingo, 24 de agosto de 2008

Músculos fortes e saudáveis

Estudo da UnB confirma eficiência da creatina para
redução da fadiga e aumento da massa muscular

Nem tudo o que promete aumentar a massa muscular é realmente eficaz. Mas uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Educação Física (FEF) da Universidade de Brasília (UnB) constatou que a creatina - um aminoácido existente no corpo humano e que pode ser encontrado à venda no mercado - pode realmente ajudar aquele magrinho a ficar mais forte, quando a ingestão é associada a uma boa dose de exercícios físicos.

De acordo com o estudo, o suplemento tem ainda outras vantagens como auxiliar no combate à fadiga muscular e no aumento da resistência de indivíduos que fazem exercícios que exigem agilidade. Apesar de todos esses efeitos, a substância não está incluída na lista de drogas condenadas em exames de doping.

E o motivo é simples: também é sintetizada pelo organismo e está presente em muitos tipos de alimentos, como carnes de uma maneira geral. Tanto é assim que a creatina é liberada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Saber exatamente de que maneira a substância age no organismo foi o tema da tese de doutorado Efeitos dos Exercícios Pliométricos associados à Suplementação Aguda de Creatina na Composição Corporal e na Potência Anaeróbia, realizada pelo professor de Educação Física, Osmar Riehl, sob a orientação do doutor em Ciência da Saúde, Ramón Fabian Alonso López. O estudo teve a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa, da Faculdade de Medicina.

Cláudio Reis/UnB Agência
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Estudo de Riehl comprova vantagens da creatina

No desenvolvimento da pesquisa, Riehl acompanhou 26 indivíduos divididos em três grupos, dos quais foi medida a composição corporal antes e depois dos exercícios. Também foram feitos vários testes de fadiga entre os participantes. Os exercícios pliométricos foram escolhidos, por exigir a contração e extensão muscular num ritmo rápido e freqüente, como, por exemplo, pular corda - um exercício que tem como característica desenvolver a potência e agilidade.

O primeiro grupo (1) ingeriu placebo e fez os exercícios; o segundo (2) fez os exercícios e tomou a creatina e o terceiro (3), formado por atletas, também recebeu a suplementação e ainda praticou os exercícios. A dosagem foi de 0,3g por quilo de peso, durante sete dias. Os voluntários faziam quatro tipos de exercícios, iniciando com 5 repetições em cada tipo que aumentavam progressivamente até alcançar dez repetições no último dia; cada treinamento durava de 30 a 40 minutos.

A avaliação consistiu em pesagem subaquática (desitometria), medida de dobras cutâneas, impedância bioelétrica (avaliação da quantidade da água do organismo), perímetros (circunferência de braço, coxa e perna), teste de força e outros testes, como três séries de dez saltos verticais e outra com dez saltos sucessivos horizontais, além de um teste de potência na bicicleta ergométrica para medição da fadiga muscular. Nessa fase, o indivíduo pedalava trinta segundos na máxima potência.

Os resultados mostraram que:
• os voluntários que tomaram a suplementação apresentaram uma fadiga muscular consideravelmente menor. Os grupos 2 e 3 apresentaram reduções de 6,5% em média na fadiga, ao passo que o grupo placebo aumentou 9,6%;
• o suplemento aumentou a massa corporal dos indivíduos, em até 2kg. No grupo placebo, não houve alteração;
• no grupo atleta, o percentual de gordura diminuiu 10,4% em média, enquanto os grupos 1 e 2 a redução foi de apenas 4,6% e 4,9%, respectivamente. Isso se deve ao fato de os atletas terem mais facilidade para queimar gordura;
• houve aumento do perímetro da coxa, perna e braços dos grupos 2 e 3. O grupo que tomou placebo teve redução dos perímetros, apesar de praticar os exercícios;
• foi registrado aumento na quantidade de água em todos os grupos, principalmente no grupo 2, o que pode sugerir que a creatina provoca a retenção de água nos músculos;
• houve aumento na potência das pernas em todos os grupos. Os atletas não tiveram resposta expressiva, pois já faziam atividade e o corpo já estava adaptado;
• mesmo com o aumento da massa corporal, os testes de salto horizontais revelaram aumento na distância saltada e na velocidade de execução;
• Os grupos que receberam a suplementação se saíram melhor no teste de deslocamentos vertical máximo.

Apesar de o resultado do trabalho atestar que a creatina traz benefícios em curto espaço de tempo, Riehl recomenda que a suplementação seja feita com acompanhamento de um nutricionista. De acordo com a professora, do Departamento de Nutrição da UnB, Tereza Macedo, o uso indiscriminado de suplementos não é recomendado e o excesso pode causar problemas à saúde.

Saiba mais sobre a creatina
É um composto orgânico sintetizado a partir de três aminoácidos (glicina, metionina e arginina), obtidos a partir da degradação de proteínas da dieta ou dos tecidos. É estocada principalmente nos músculos na forma de creatina livre e fosfocreatina. Desempenha importante papel na reposição dos estoques de ATP já que é a principal molécula na ressíntese desse ATP nos primeiros dez segundos de atividades máximas. ATP é a molécula que, quando degradada, libera energia para contração muscular. É encontrada principalmente na carne de boi, porco, peixe e de outros animais (Fonte: http://www.brasilmedicina.com).

Fonte: http://www.unb.br/acs/bcopauta/educacaofisica1.htm