terça-feira, 5 de agosto de 2008

QI comestível: Esqueceu o que fez na semana passada? Ontem? Estes alimentos podem fortalecer seu cérebro e ajudar a recarregar a memória

Segunda de manhã, você faz uma pausa para o café com os colegas do escritório e todos começam a contar as desventuras do fim de semana. Chega a sua vez. Você arregala os olhos, ri nervoso e não consegue nem lembrar o que fez na sexta à noite. Todo mundo ri e imagina que a amnésia tem nome e sobrenome: pé na jaca. Mas você sabe a verdade. Estava perfeitamente sóbrio, porém não se lembra de nada. Esquecimentos são preocupantes, mas não necessariamente sintomas de Alzheimer precoce. O efeito cumulativo de substâncias tóxicas no meio ambiente e de estresse podem deixar seu cérebro cansado e a memória capenga, tanto quanto deficiências nutricionais. Pesquisas mostram que o cérebro continua a crescer e a se desenvolver ao longo da vida. Quanto melhor você alimentá-lo, mais eficiente será seu funcionamento. "Ele precisa de nutrientes específicos. Para funcionar bem, depende do que você come", explica Santino Lacanna, chefe do Laboratório de Pesquisa em Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nutrientes estes que você dá ou não - o que pode deixar o sistema danificado, com conseqüências desastrosas. Nossos ancestrais da Idade da Pedra tinham a dieta perfeita: nozes, raízes, frutas vermelhas, ovos, peixes e ocasionalmente uma fatia de mamute selvagem. Eles certamente tiveram seus problemas, mas podemos apostar que lapsos de memória não foram um deles. Será que você anda comendo direito?
 

EMPILHE ANTIOXIDANTES
A perda da capacidade cerebral começa anos antes de ser diagnosticada. A maioria resulta de falhas não identificadas nas células cerebrais. Elas não são reparadas e levam a uma pane, possivelmente a morte de neurônios. "Antioxidantes, encontrados em frutas, legumes e verduras, combatem os radicais livres e reduzem a inflamação e a oxidação das células", diz o neurologista Santino Lacanna, de São Paulo.

O médico americano Denham Harman, que desenvolveu a teoria dos radicais livres em 1954, apontou que 28 anos é a idade em que as defesas antioxidantes diminuem muito, deixando você mais vulnerável. Então, se você não tem sido consciente em relação aos cuidados com seu cérebro, é hora de começar.

Melhores fontes Frutas vermelhas (especialmente morango, framboesa, amora) contêm os fitoquímicos antocianina e quercetina, que têm se mostrado eficientes na reversão de déficits de memória em animais testados em laboratório. Vegetais crucíferos (brócolis, repolho e couve), folhas verdes (espinafre), ameixa seca, uva passa, alho, avocado, laranja, pimenta vermelha e cebola são excelentes.

PEIXE: BOM PRA BURRO!
Os ácidos graxos ômega fazem bem, embora necessitem de atenção quanto à quantidade de ingestão. De acordo com Silmara Lucheti, nutricionista do Hospital Doutor Christóvão da Gama, em Santo André (SP), o ômega-3é muito benéfico. Encontrado em peixes deágua fria, como salmão, formam membranas flexíveis que permitem que os receptores de neurônios acomodem a forma única de cada neurotransmissor, o que resulta em memória afiada e em um processo mental mais rápido.

Ômega-6, por outro lado, é um óleo vegetal meio trapaceiro, encontrado em muito produtos industrializados, que deixa os neurossensores meio preguiçosos. A ingestão desses dois tipos de gordura é seriamente desproporcional no mundo ocidental: nós consumimos ômega-6 demais e não ingerimos nem o mínimo de ômega-3.

A conseqüência, de acordo com Michael Crowford, uma autoridade em nutrição cerebral da Universidade de North London (Inglaterra), é que "a evolução do cérebro humano está em marcha à ré". Lembre-se de trocar o peixe frito por salmão grelhado na hora de fazer o pedido.

Melhores fontes

 Salmão, sardinha e truta são entupidos de "boa" gordura - capaz de neutralizar os possíveis efeitos nocivos do ômega- 6. Nozes e sementes também são excelentes.Ômega-3 também pode ser ingerido na forma de suplementos. O ideal é consultar um nutricionista e saber exatamente o que precisa.

PRUDÊNCIA NO PRATO
O
consumo de uma grande quantidade de laticínios, cereais, açúcares refinados, comidas industrializadas - ou cheias de gordura - e condimentos em nossa alimentação tem sido uma conta alta para nosso cérebro, afirma o neurologista Santino Lacanna, da Unifesp. Esses carboidratos de digestão rápida mandam uma quantidade de açúcar elevada para o sangue, o que faz o pâncreas bombear insulina. Se isso acontece com muita freqüência, as células se tornam resistentes à insulina, aumentando o risco de diabetes, perda da memória e da função mental.

Por outro lado é esse nível alto de açúcar no sangue que faz o corpo e o cérebro agirem mais rapidamente. Por isso o ideal é buscar equilíbrio nutricional que dê garantia de que sua memória vai servi-lo pelo resto da vida.

RAINHA COLINA
Sardinhas também contêm DMAE, substância que se transforma na enzima colina, necessária para produzir o neurotransmissor acetilcolina. A deficiência dele resulta em memória fraca, e sabese que é uma das maiores causas de demência senil, diz o nutricionista britânico Patrick Holford, autor do livro 100% Saúde (Ed. Madras, 271 págs.).

Melhores fontes Sardinha, ovo, peixe, fígado e soja. Coma ovos cozidos em vez de mexidos - dessa forma a estrutura nutricional do alimento não se modifica. Na forma de suplemento, tente os à base de lecitina, mas verifique se o produto tem mais de 30% de fosfatidilcolina, diz Holford.

CHAME O ZINCO
Se sua dieta é pobre em ácido fólico e zinco, você corre o risco de elevar os níveis de homocisteína, que pode contribuir para o aparecimento de Alzheimer. O ácido fólico ajuda a reduzir os níveis de homocisteína, segundo estudo da Universidade Trufts, nos EUA. Ele também está associado ao processamento mais rápido de informações e à boa memória.

Melhores fontes Germe de trigo, espinafre, brotos, lentilhas, ervilhas, grãos de soja, alcachofra, beterraba, brócolis e laranja.

PRONTO-SOCORRO PARA A MEMÓRIA
seis maneiras rápidas de melhorar as respostas da sua cachola

Coma frutas e verduras todos os dias Cozinhe os vegetais no vapor para reter nutrientes e escolha produtos orgânicos para evitar o contato com pesticidas, que estão ligados à perda da capacidade de memória, lembra o nutricionista inglês Patrick Holford.

Não pule o café-da-manhã Mesmo que seja só uma mão cheia de amêndoas e uma maçã (a proteína presente nas nozes vai lhe dar energia para enfrentar muitas horas). Falta de comida faz o nível de açúcar no sangue despencar, deixando o cérebro sem combustível.

Durma, se exercite e respire ar fresco Muita adrenalina leva à fadiga, que vira ansiedade, mau humor e perda de memória.

Diminua a cafeína As pessoas podem melhorar a memória consideravelmente seguindo algumas recomendações: reduza a cafeína, incluindo refrigerantes e energéticos; diminua o estresse; inclua na sua rotina diária exercícios, meditação e descanso; e consuma ácidos graxos, vitaminas do complexo B, zinco e magnésio.

Exercite seu cérebro "Você pode estar em forma, mas também precisa malhar seu cérebro", diz Lacanna. Desligue a TV e comece a fazer algo que o estimule mentalmente, como jogar xadrez, escovar os dentes com a mão esquerda (se você é destro), aprender uma língua, ler, tocar um instrumento.

Diminua a bebida O álcool extermina neurônios. Se você gosta de beber, saiba que está se auto-programando para perder memória. "Você pode lembrarse de coisas antigas, mas não conseguirá recordar atividades diárias, porque as células do hipocampo, região do cérebro ligada à aprendizagem e à memória, estão fora de combate, prejudicadas pela bebida", esclarece Lacanna. O mesmo vale para o cigarro e, claro, as drogas.

Fonte: http://menshealth.abril.com.br/nutricao/conteudo_291750.shtml