quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Tecnologia em roupas e calçados: a diferença em Pequim

Maiô que diminui o atrito com a água, sapatilha de corrida 'moldada' aos pés do corredor; conheça as novidades tecnológicas.

Pelo menos nas piscinas do Cubo D´Água e nas raias do Ninho de Pássaro, onde acontecerão as provas de natação e atletismo da Olimpíada de Pequim, menos definitivamente não é mais.

Além do habitual treinamento dos atletas, acessórios, calçados e trajes especiais deverão concentrar atenções e melhorar índices olímpicos principalmente nas duas modalidades, com destaque principal para o corpo e os pés dos competidores.

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Quem puxa a fila da inovação tecnológica é o LZR Racer, da Speedo. Tecnicamente, o tão falado maiô combina painéis de poliuretano colados conforme as medidas do atleta, que comprimem seu corpo de forma a "diminuir" a superfície de contato na água durante as braçadas.

O material, aplicado pela NASA em missões espaciais, não aumenta a potência do atleta, mas torna sua hidrodinâmica melhor, comprimindo as dobras de pele (nas coxas, peitos e nádegas, principalmente), que, normalmente, aumentariam a fricção da água exigindo mais força.

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Segundo a fabricante, a compressão da pele do atleta faz com que a água corra mais próxima ao seu corpo, diminuindo o atrito e permitindo o uso das energias antes usadas para vencer o atrito para braçadas maiores dentro da água.

Juntando a melhor hidrodinâmica com a ajuda na postura que o maiô dá ao atleta, o LZR Racer melhora, de acordo com a Speedo, em até 5% a eficiência de oxigênio e 4% a performance do competidor dentro da piscina.

Talvez mais que números, projeções ou explicações técnicas, a razão do sucesso do LZR Racer esteja dentro da água - dos 49 recordes em diferentes modalidades quebrados durante 2008, 44 deles estão nas mãos de atletas que usaram o maiô.

Lançado em fevereiro, o LZR Racer chega como principal atração das competições de natação e, dado seu histórico recente, coloca os atletas que o vestem em teórica vantagem em relação àqueles que caem na água com a sunga tradicional, que não minimiza as dobras da pele.

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No atletismo, uma idéia semelhante à do LZR Racer deverá ser vista dentro das pistas. A Adidas levará aos Jogos Olímpicos de Pequim seu TechFit PowerWeb, traje que ajuda não apenas a melhorar a aerodinâmica, mas também a diminuir a perda de energia do atleta.

A roupa, que deverá ser usada pelo corredor norte-americano Tyson Gay, também comprime a musculatura do atleta de forma a minimizar a fricção do ar com as dobras do corpo, além de ter função cinética. Na largada da corrida, as passadas do atleta dissipam muita da energia usada para a explosão, explica a Adidas.

A compressão oferecida pelo Techfit PowerWeb, diz a fabricante, ajuda a estabilizar os músculos usados durante a largada e converter a energia que seria desperdiçada para as passadas à frente, o que aumenta em 5,3% o desempenho do atleta e diminui o tempo gasto em 1,1%.

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A concorrente Nike aposta em um novo sistema chamado Nike Swift System of Dress, que oferece peças separadas que podem cobrir pernas, braços, costas e bustos de corredores, com diminuição de até 19% no atrito do atleta com o ar.

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A fabricante norte-americana também levará a Pequim outra novidade em vestimentas para atletismo que, no entanto, não entrará nas pistas. O PreCool Vest é um colete que resfria a musculatura dos atletas, economizando uma energia que, tradicionalmente, seria usada para manter a temperatura do corpo constante.

Formado por triângulos de diferentes tamanhos que contêm água congelada, o colete deve ser usado uma hora antes da competição para evitar que a alta temperatura de Pequim em agosto prejudique o desempenho dos atletas.

Tecnologia nos pés
As grandes estrelas do atletismo, porém, estarão nos pés, e não no torso dos atletas. Fabricantes levaram aos Jogos Olímpicos novas tecnologias nos calçados que, aí sim, respeitam a relação entre desempenho e tamanho.

O principal atrativo não é um calçado, mas uma nova arquitetura para sapatilhas de corrida e de basquete desenvolvida pela Nike e chamada de Flywire. Como a tradução do inglês sugere, a nova estrutura de tênis esportivos da Nike não se apóia em tiras de tecido costuradas umas às outras, mas a fios que sustentam o calçado.

Para explicar a idéia, a Nike gosta de citar pontes suspensas por grandes cabos de ferro, como a Golden Gate Bridge, em São Francisco – longos filamentos de uma fibra chamada Vectran são conectados a pontos específicos do calçado, dando sustentação para o tecido que preencherá as colunas.

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A estrutura baseada em filamentos faz com que sapatilhas do tipo sejam extremamente leves e se encaixem com perfeição ao pé do atleta - programada para ser usado em competições rasas, como os balados 100 metros masculinos, a Zoom Matumbo pesa apenas 93 gramas, idêntica à Zoom Victory Spikes, reservada para competições de até 5 mil metros.

A nova estrutura também tem potencial para mudar a maneira como a Nike fabrica calçados no mercado mundial – segundo a companhia, a facilidade e os baixos custos com que acessórios do tipo são fabricados poderão se refletir em calçados mais baratos e com aerodinâmica melhor nas prateleiras mundiais durante os próximos anos.

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O FlyWire estará presente também no basquete. O Nike Hyperdunk usa a mesma arquitetura baseada em filamentos, o que faz com que o calçado seja 18% mais leve que similares, com apenas 370 gramas por par.

Rival da Nike também em determinadas provas de atletismo, a Adidas apostou em nanotubos de carbono para dar maior potência às passadas dos seus atletas.

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A Lone Star Spikes, que calçará os pés do campeão mundial dos 400 metros Jeremy Wariner, contudo, não tem o material - com um terço da espessura de versões anteriores e cerca de 20 vezes mais resistente que o aço- como principal atrativo.

Por incrível que pareça, o grande avanço da sapatilha é algo que, em qualquer outra modalidade, seria encarado como um erro fatal: a falta de simetria.

"Assim como um carro de corrida que usa diferentes suspensões nos lados direito e esquerdo, a Adidas criou calçados diferentes que se apóiam no fato de Wariner usar seu pé esquerdo para estabilização e seu direito para propulsão", explica a fabricante.

Assim como circuitos automobilísticos ovais, as pistas de corrida nos Jogos Olímpicos exigem que o atleta faça curvas apenas para a esquerda, o que faz com que seus pés tenham funções diferentes durante o trajeto.

À partir da constatação, a Adidas fez com que a sapatilha direita do corredor tivesse mudanças que canalizassem a energia criada no pé direito de forma que a propulsão penda para o lado esquerdo.

A tecnologia por trás da Lone Star Spikes, assim como a compressão do LZR Racer ou a leveza do FlyWire, dá uma força durante a competição – não custa nada lembrar que o grande responsável pelo sucesso é exatamente aquele que apela para as novidades.

Fonte: http://www.boletimef.org/forum/viewtopic.php?f=21&t=272&p=596