quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

'Fat pride', o orgulho de ser gordinha

Foto para a revista americana 'Glamour': o público respondeu positivamente às dobrinhas (Foto: Divulgação)

Dos Vigilantes do Peso ao balão intragástrico. A atriz Fabiana Karla já tentou quase todas as fórmulas e simpatias para perder peso. "No começo, até emagreci, mas os doces me amam", brinca a Dra. Lorca da atração humorística Zorra Total, da Rede Globo. A certa altura, porém, ela decidiu parar de se lamentar pelos quilos extras e assumir as dobras. Sentiu-se bela assim. "Preconceito existe desde que nascemos, mas podemos escolher se vamos aceitar isso ou não", diz Fabiana, disparando contra a tão falada ditadura da magreza. "Agora, as pessoas estão se empenhando em respeitar o espaço dos outros - e acredito que estou contribuindo para isso." Vale acrescentar: Fabiana foi convidada para assumir o papel de rainha de bateria de uma escola de samba carioca - posto tradicionalmente reservado a beldades mais enxutas.

 fat pride - ou "orgulho de ser gordo". E suas protagonistas já começam a conquistar o apoio do mundo da moda e de segmentos da comunidade médica.

Beth Ditto, vocalista da banda The Gossip, pode ser considerada um dos ícones do fat pride. Posou nua em duas capas de revistas britânicas, NME e Love – uma especializada em música, e a outra, em moda, respectivamente. Além disso, criou uma marca de roupas para mulheres cujo manequim é avantajado. Já a atriz Brooke Elliott está representando as gordinhas na TV: é a protagonista da série americana Drop Dead Diva, em que interpreta uma advogada cuja vida é atropelada por um tsunami quando uma modelo magra e fútil reencarna em seu corpo. Há ainda outras referências na TV, que vão desde a rainha dos talk shows Oprah Winfrey até programas como More to Love, em que um homem precisa escolher entre pretendentes gordinhas, e Dance Your Ass Off, reality parecido com oDançando com as Estrelas - mas com dançarinos rechonchudos.

Beth Ditto, vocalista da banda The GossipPela internet, a modelo e atriz Joy Nash colaborou com o movimento ao postar o bem-humorado vídeo A Fat Rant, em que sustenta uma tese que até pouco tempos parecia indefensável: é possível ser gorda e feliz. Leia a entrevista com Joy. No mundo da moda, o debate em torno da revolução da imagem do corpo perfeito foi incentivado pela revista americana Glamour. A foto de uma modelo nua com a barriga saliente ganhou destaque internacional e se tornou assunto de vários programas de TV nos Estados Unidos. "Essa foi a foto mais incrível que eu já vi em uma revista feminina", disse uma leitora em um dos milhares de comentários sobre a imagem. Com a repercussão positiva,Glamour repetiu a dose, desta vez com várias modelos nuas e com formas avantajadas.

Gordinhas nos trópicos - Seguindo o exemplo americano, o Brasil passou a debater mais o assunto. As gordinhas começaram a ser ouvidas em programas televisivos de grande audiência. Daí surgiu o boom: linhas de telefones congestionadas, caixas de e-mails lotadas e crescimento substantivo de acessos em páginas voltadas para esse público. O blog Mulherão, da jornalista Renata Poskus Vaz, registrou um salto na audiência, de 70 visitas, em março, para 130.000, em novembro. Leia entrevista com a blogueira.

Imagem de Lizzi Miller, que criou polêmica na revista GlamourO fundador da agência World Models, Flamir da Silva, recebeu mais de 25.000 contatos de mulheres com perfil plus size e que gostariam de trabalhar como modelos. E esse interesse súbito foi sentido em outros sites e agências relacionados a mulheres com esse biotipo. Até a brasileira Fluvia Lacerda, referência no segmento de modelos plus size no exterior, sentiu a novidade. "Eu costumava dizer que não tinha muito mercado no Brasil, mas percebi que agora existe esse movimento. Aos poucos, a consumidora brasileira vai reivindicar a chance de ter a mesma calça jeans das modelos em tamanhos maiores", prevê Fluvia. Leia a entrevista com a modelo.

Publicitário e presidente da agência W/Brasil, Washington Olivetto concorda que o mercado está abrindo os olhos para mulheres que fogem dos padrões estéticos das passarelas. "A comunicação está percebendo que o processo de venda é mais efetivo quando é sincero", diz Olivetto. Ele lembra que a valorização da "beleza real" é uma preocupação antiga de uma famosa marca de sabonetes, a Dove. Em 2004, a fabricante Unilever fez uma pesquisa global com 3.200 mulheres entre 18 e 64 anos. O resultado foi assustador: apenas 2% consideravam-se bonitas. "A partir daí, a marca quis contribuir com ampliação de um padrão de beleza que, hoje, provoca uma busca do inatingível pelas mulheres. As pessoas têm tamanhos, formas e aparências diferentes, mas todas têm a sua beleza", comenta Rafael Nadale, gerente de marketing da Unilever.

Primeira modelo plus size a participar da campanha da Dove, em 2004, Carolina Angrisani é atriz de comerciais desde 1994. "O mercado sempre foi muito preconceituoso e com ofertas de trabalhos pejorativas", diz. "Mas é bom saber que Brooke Elliott, atriz da série Drop Dead Divaestão abrindo oportunidades para esse perfil."

Nem tudo são flores no caminho das mulheres que se aventuram nesse mercado - como, aliás, acontece também às mais enxutas. Muitas pseudo-agências se aproveitam do momento - e é preciso tomar cuidado. "Houve um boom de meninas querendo ser modelos, mas a quantidade de trabalhos não aumentou proporcionalmente", alerta Kátia Ricomini, editora e fotógrafa do site Criatura GG. Para ela, para tornar-se uma modelo plus size, a candidata precisa muito mais do que um manequim 44. "É preciso ter altura mínima, manequim certo e fotogenia. É uma profissão como outra qualquer", conta.

'Plus Size Fashion Week' - Outro setor que está crescendo é o de vestuário tamanho GG. Até pouco tempo atrás, comprar roupas grandes era sinônimo de dor de cabeça. Mas isso está começando a mudar. "Você se percebe a presença, ainda que tímida, de lojas especializadas para as gordinhas. Isso vai se multiplicar", diz Olivetto. No início de 2010, as marcas voltadas para os tamanhos maiores vão mostrar seus modelos no maior evento para esse público do país, o Fashion Weekend Plus Size - que ocorre simultaneamente à tradicional São Paulo Fashion Week.

Carolina Angrisani, modelo

Eveline Albuquerque, estilista e proprietária da loja Eveíza Silhueta Plus, é uma das empresárias que vai apostar no evento de nicho. Em 2009, ela abriu uma nova loja em São Paulo, onde revende para outros estabelecimentos, e está negociando um ponto em um shopping center paulistano. O crescimento do negócio tem girado em torno de 20% ao ano. "Percebemos um mercado solto e passamos a nos especializar", conta Eveline, que está no ramo há 25 anos.

As defensoras do fat pride rebatem críticas de alguns segmentos da comunidade médica, que veem no movimento uma apologia à obesidade. Nada disso. Para elas, trata-se do direito de buscar a felicidade, a realização pessoal e profissional e o bem-estar - tudo isso sem precisar cortar calorias ou fazer malabarismos para entrar em uma calça manequim 38 ou 40. "Ser gorda não é mais desculpa para você não ser feliz. Você vai se assumir ou se vender para o resto da vida como uma gorda coitadinha?", cutuca Renata Poskus Vaz, do blog Mulherão.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Larissa Cunha é Miss Universo

Primeira mulher brasileira que conquista o título mais importante do fisiculturismo feminino da NABBA

Patrícia LessaPor Dra. Patrícia Lessa (mafalda_cat@yahoo.com.br)

 

 

 

Larissa CunhaÉ com grande alegria que devemos noticiar que Larissa Cunha é a nova Miss Physique Universe. O Universe é o mais antigo e tradicional titulo do fisiculturismo internacional, possui uma galeria com os nomes que ficaram na historia do esporte.

Hoje Larissa deu um presente ao povo brasileiro: TORNOU-SE A PRIMEIRA MISS PHYSIQUE UNIVERSE DO BRASIL!

Disputou cada minuto no palco ao lado da favorita a inglesa da casa e as pedreiras vindas dos paises da cortina de ferro.

A atleta dedica-se ao esporte já há alguns anos, muitos foram seus título e muito tem-se falado sobre o fisico perfeito: que no bodybuilders se traduz em: simetria, volume e definição.

Esses três quesitos são contemplados por Larissa, que não tem medo de secar ao ponto de alcançar grande fibração nos membros inferiores, questão muito dificil, mesmo entre os maiores fisiculturistas do mundo.

Ela é a melhor do mundo, digo do Universe, porque soma esses fatores decisivos na arbitragem com outros como: graça, leveza, poses muito bem colocadas e coreografia alegres e belas.

Em 2009 iniciamos um projeto na Universidade estadual de Maringá, intitulado: Memórias de um corpo em construção: a trajetória da fisiculturista Larissa Cunha.

A escolha dessa atleta deu-se em função desse requisitos acima citados, além disso, sua carreira como fisiculturista reconhecida internacionalmente é uma construção que está começando, dizemos começando pois o fisiculturismo exige tempo, paciencia, maturidade e muita segurança... 

Ainda para 2009 está previsto o lançamento de uma revista na UFF (Federal Fluminense) onde escrevemos sobre o fisiculturismo feminino e iniciamos com uma foto de Larissa. Essa é uma pesquisa que culminara em um livro sobre a atleta.

Larissa CunhaA conquista do Universe é consequencia de anos de dedicação e trabalho sério, o trabalho que a atleta vem realizando pode ajudar a desmistificar o esporte no Brasil, pois por incrivel que possa parecer, a população brasileira que adora imitar o comportamento norte-americano - na alimentação, nos modos, na escolha de filmes, musicas, vestuario, etc..- ainda não percebeu que nos EUA o fisiculturismo feminino é um dos esportes mais prestigiados.

Atletas como Cory Everson, Monica Brant, Andrulla Blanchette, Linda Murey (atleta que inpirou Larissa Cunha) são icones, idolatradas, como aqui idolatram-se os jogadores de futebol. 

Larissa Cunha entra na história dos esportes femininos para para contar-nos a história das mulheres fortes e das mulheres de força, uma guerreira que não se deixou abater pelo medo, pelo preconceito, pela indiferença.

Hoje tem a honra de ter seu nome inscrito na Hall da Fama Universe ao lado de nomes como Arnold e Steve Reeves.

Mesmo na dieta mais rigorosa, no treino mais arduo e doloroso, vamos a academia onde Larissa trabalha e a encontramos com um sorriso estampado no rosto.

Esse semblante alegre desde o primeiro dia que vi a atleta passou-me a imagem dos vitoriosos, o riso dos visionários do qual nos falou Nietzsche...

Estive na equipe de arbitragem do Mundial NABBA na Eslovaquia e vi que na Europa, assim como EUA, as mulheres musculosas são lovadas como deusas do Olimpo, os jornais, a midia, divulgam seus nomes como aqui no Brasil vemos divulgados nomes como Marta e Pelé.

Pois eles sabem: ganhar musculos não é tarefa facil, ainda mais ganhar com beleza e qualidade.

Deixo meus votos de sucesso e que nossa menina de ouro do Paraná, voe cada vez mais alto, pois ela merece!!!!

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Larissa Cunha, 33 anos, 15 anos de treino
Professora de Educação Fisica formada pela PUC-PR
Pós graduada em Treinamento desportivo- UFPR
Atualmente cursando Nutrição na FIES-Ctba

Profissão: Personal Trainer e consultora esportiva

Mantenho em off season 84kg e em pré contest 67kg, 1,67

Principais titulos
Miss Universe 2009
Campeã Sulamericana 2007
Vice campeã Mundial 2007
Tri-Campeã Brasileira 2006/07/08

Tenho apoio da Integralmédica suplementos nutricionais, Garra Suplementos em Curitiba e Lei do Incentivo ao esporte da prefeitura Municipal de Curitiba

Contato: Academia Espaço do Corpo unidade Mercês (41) 3335-0555
www.larissacunha.com
larissagcunha@hotmail.com

Larissa Cunha

Larissa Cunha

Larissa Cunha

Larissa Cunha

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Academia em casa


Getty
Para montar um academia em casa é preciso pensar em quais equipamentos devem ser comprados e qual a melhor relação custo/benefício do investimento para malhar sem sair de casa. Além disso, deve-se levar em conta dois pontos essenciais para fazer valer o dinheiro investido:

Você tem a disciplina necessária para se exercitar em casa?
Muita gente presume que comprar equipamentos faz com que surja uma motivação e um grau de disciplina que os fará cumprir o programa de exercícios. Não é fácil fazer ginástica em casa, sozinho. As academias atraem a maioria das pessoas, pois muita gente (inclusive eu) prefere malhar num ambiente onde outras pessoas também se exercitam.

Já pensou em investir em um personal trainer?
Como a maioria das pessoas investe na montagem de uma academia em casa, mas não consegue treinar sozinha, recomendo a contratação de um professor particular. Além de ajudar muito na motivação, ele o auxiliará na execução correta dos exercícios e na variação das cargas, aumentando a segurança e eficácia do treinamento.

Equipamentos

A forma mais barata para começar exercícios em casa são as faixas elásticas, compactas, de baixo custo e que podem ser levadas a qualquer lugar.

Para montar uma miniacademia, há duas opções:

Compacta – O kit desta opção pode ser montado com um banco dobrável (de 200 a 400 reais), que permite a execução de diversos exercícios com halteres (de 8 a 30 reais cada unidade) de variados pesos; e um colchonete (de 30 a 50 reais) básico e alguns pares de caneleiras (de 16 a 40 reais o par).

Semiprofissional - Neste caso, o praticante tem de dispor de mais dinheiro e mais espaço. Em geral, é preciso uma sala somente para os aparelhos, com uma multiestação de exercícios (que pode chegar a 8.000 reais), que permite o fortalecimento dos principais grupos musculares. Também ajuda uma bicicleta ergométrica mecânica (de 250 a 500 reais) ou com resistência magnética (de 1.000 a 2.000 reais). Nesta sala também é preciso uma esteira, que pode variar de 800 a 20.000 reais, dependendo da potência do motor, recursos e durabilidade.

Para montar a sala de ginástica, recomendo a contratação de uma empresa especializada em manutenção dos equipamentos. Geralmente os fabricantes têm profissionais certificados. A manutenção é essencial para garantir a segurança, pois os cabos, roldanas e outras peças se desgastam podem oferecer riscos durante os exercícios.

Por Renato Dutra

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Para ser um grande fisiculturista

Para ser um grande fisiculturista é preciso dedicação, disciplina, dieta, genética privilegiada e muito conhecimento


Campeonato de FisiculturismoUmas das coisas que eu mais admiro no fisiculturismo, além de corpos bem trabalhados e construídos, é a verdadeira paixão que os atletas têm pelo esporte que praticam.

Porém existem algumas atitudes, que desestimulam os atletas como, por exemplo, a inexistência de vontade esportiva e olhos bem abertos, voltados para a valorização, estímulo e crescimento do nosso esporte. Vejo entidades, setores influentes que não influenciam positivamente no sentido da valorização, dignificação e crescimento do nosso esporte. E quem é atleta sabe muito bem disso.

Quando alguns atletas grandes são vistos em lugares públicos, muitas pessoas os apontam e falam: "olha lá um bombado!" Outros dizem: "esses caras aí só sabem puxar ferro e ficar na academia o dia inteiro." E tem aqueles que dizem: "esses caras sarados, não tem a menor cultura." E tem gente que fala assim: "seu eu tomar uns anabólicos fico igual ou até melhor do que aquele ali."

Estas pessoas que pensam desta forma, não sabem que para se alcançar um físico como o de um fisiculturista, é necessário ter dedicação aos treinos, disciplina na dieta, genética privilegiada e também muito estudo para adquirir conhecimento ao longo de muitos anos de treino. Sem isso, fica difícil atingir tal nível. De modo que é muito fácil sair falando, "tomou isso e aquilo e ficou grande".

Umas das coisas que vejo é que os atletas pegam o seu salário, — que muitas vezes vem suado, — e investem tudo na preparação dos campeonatos. Quando na verdade acredito que deveriam aplicar seus ganhos em alguma coisa mais sólida. Afinal aqui no Brasil não se tem incentivo nenhum, para o nosso esporte. Já ouvi várias histórias sobre os extremos a que os atletas se submetem. Alguns atletas chegam até a vender seus próprios carros para terem mais recursos financeiros.

Então vamos lá. Acredito que para o campeonato, o atleta deve investir uma soma considerável em dinheiro, numa boa preparação física. Esses gastos incluem: a dieta, suplementação, algumas vezes viagens até internacionais e tudo mais o que necessitam para chegar em boas condições para o dia D. Afinal, ninguém quer fazer feio. E na maioria das vezes todos esses gastos são custeados pelo próprio atleta, e ainda tem a despesa de inscrição no campeonato que vão disputar, e quando o atleta vence o que ele ganha? A resposta é: UM POTE DE WHEY PROTEIN, um muito obrigado e ainda ouve pelo alto-falante alguém que não colocou nenhum centavo para fazê-lo chegar até ali dizer: "Esperamos vê-lo na próxima temporada." Ora essa... Falando francamente: ganhar um pote de WHEY de prêmio, É DESRESPEITO ao atleta que na pior das hipóteses representa a dedicação ao que há de positivo dos nossos jovens, representa não ingressar no mundo das drogas, representa um universo de hábitos saudáveis, e representa se possível o Brasil no exterior, quando conseguem e se conseguem sair do país para competir la fora.

Campeonato de FisiculturismoJá conversei com vários atletas amigos meus, e muitos me disseram que não competem mais por esses motivos. Não competem justamente porque não tem o incentivo para continuarem a competir. O atleta se esforça se prepara e investe às vezes até um dinheiro que não tem, e não ganha nada. Isso é sem duvida desestimulante! E isto já vem acontecendo há muitos anos e não vejo nada ser feito para mudar, melhorar, corrigir.

Penso que se houvesse algum projeto conjunto entre as federações e as empresas de suplementos que patrocinam os campeonatos, as premiações e apoios poderiam ser melhores e mais estimulantes!

Não quero dizer que se pague 10 mil reais para o primeiro colocado. Vamos lembrar que todos ganham, ou melhor, quase todos: as federações, o corpo de arbitragem, as empresas que mostram suas marcas, e seus produtos no dia do evento. Mas pergunto: E os atletas? O que ganham eles? Acho que vocês já sabem a resposta.

Penso que já está mais que na hora dos atletas receberem um prêmio justo nos campeonatos. E não apenas um pote de WHEY. Que palhaçada! Qualquer um pode comprar um pote de WHEY PROTEIN nas lojas por aí. Lembro que os atletas são os verdadeiros protagonistas das competições, pois sem eles não haveriam os campeonatos.

Está mais do que na hora de os campeonatos serem mais bem organizados. Várias e várias vezes eu estive presente em diversas competições e vi os atletas entrarem no palco e esperarem por sua música para iniciar suas apresentações e cadê a música? Simplesmente sumiu, e o atleta faz as poses sem música, ou usa uma outra qualquer, e com isso acabam prejudicados, pois não utilizam a música, ensaiada preparada dias e dias antes, para sua apresentação individual. Ou seja, o atleta não é apoiado e respeitado e assim não tem condições de apresentar o melhor do seu trabalho. Como pode? Em plena era do MP3 do "Blue ray" acontecer uma coisa dessas? Isso não deveria ocorrer jamais.

Outro ponto importante é a iluminação na hora das apresentações. Sem uma boa luz não se vê os competidores direito, ou seja, o palco muitas vezes acaba sendo iluminado apenas em um ponto, ou mais na frente ou atrás, de modo que se o atleta vai pra frente ele fica na luz e se vai pra traz fica no escuro e desaparece. O público acaba não vendo direito os detalhes dos competidores, e pior, talvez até nem mesmo os árbitros a bem da verdade conseguem ver. O palco todo deve estar sempre bem iluminado para que os atletas mostrem todo o seu potencial.

Campeonato de FisiculturismoBem, sobre os apresentadores... alguns deles, em dado momento, acabam por lançarem ao público, por conta própria, brindes, como camisetas, bonés e outras coisas. Acho que lugar de apresentador é atrás da bancada chamando as categorias e posteriormente anunciando os campeões. Eu nunca vi os apresentadores do Mr. Olympia ficarem jogando brindes para o público. Penso que seria bacana tentar seguir o exemplo dos profissionais, porque eles fazem os eventos bem feitos. Mas... alguém vai dizer: "Nós aqui somos amadores e não temos recursos como eles têm." Ok concordo com isso, mas todos sabemos que sempre da para fazer melhor.

Os eventos poderiam e deveriam ser realizados de maneira que não apenas o publico que curte a musculação e os fisiculturistas fossem prestigiados. E sim o público em geral. E com isso poderiam surgir quem sabe, até novos interessados em patrocinar os atletas, os campeonatos. E desta forma o esporte seria mais bem visto pela sociedade.

Infelizmente é do nosso conhecimento que alguns competidores ainda desrespeitam os lugares que são oferecidos para os eventos, e colocam as suas mãos sujas de "pro tan" nas paredes brancas. E isto não é nada bom para a imagem do fisiculturismo, ou seja, mancha o esporte. Especialmente para quem cede, empresta estes espaços, que na verdade devem ser muito bem preservados, para que todos os campeonatos sempre tenham lugares de qualidade para serem realizados. E se contarmos com lugares de qualidade nas apresentações, o nível do espetáculo será cada vez melhor.

Entretanto, sobre as federações, entendo que poderia haver sistemática de eleições. Como qualquer outro meio, universidades, cidades, estados países. Credos religiosos. Até os papas são eleitos...! Uma eleição de tempos em tempos seria muito bem vinda, para trazer novas pessoas, com novas idéias. Uma eleição onde seriam escolhidos novos visionários. Homens capazes de contribuir ainda mais para o crescimento do nosso esporte.

Aqui na realidade, aqui no presente, em 2009, idealizo um futuro de reconhecimento aos atletas e ao fisiculturismo brasileiro. Espero que daqui a 5, 10 ou 20 anos, em 2029 eu possa ver os atletas serem mais respeitados e admirados pela nossa sociedade pelos patrocinadores e também pelas outras modalidades de esporte. E sonho que no futuro os atletas possam viver do esporte.

Por Dário Rubens Ferreira (Tony) 

Fonte: http://www.fisiculturismo.com.br/newsletters/materias/sociedade_fisiculturismo_campeonatos.php

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Considerações atuais sobre a suplementação com creatina

A suplementação com creatina é amplamente utilizada por atletas em todo o mundo, sendo formada pelos aminoácidos arginina, glicina e metionina (1). 

A síntese da creatina ocorre no fígado, rins e pâncreas, sendo que a suplementação com creatina é geralmente utilizada na forma monohidratada, podendo proporcionar aumentos em sua concentração no organismo (7). 

A forma mais tradicional de se utilizar a creatina é começando com cinco dias de sobrecarga (20 g) diminuindo para 5 g nos dias subseqüentes (fase de manutenção)(7). 

Entretanto estudos citam que a suplementação de creatina pode-se ser realizada de acordo com o peso corporal, iniciando-se com a fase de sobrecarga (0,3 g/kg) durante cinco ou seis dias seguido de uma fase se manutenção com 0,03 g/kg de massa corporal/dia (8). A creatina também pode ser ofertada ao organismo pelo consumo de alimentos de origem animais(1). 

Atletas geralmente utilizam a creatina para o aumento da força, potência e massa muscular. Nesse sentido estudos comprovam que a creatina melhora as aptidões físicas relacionadas à força e potência, além de um possível aumento da massa muscular (6). 

Essa melhora tem sido associada ao aumento do volume intracelular de água, que consequentemente aumenta o volume da célula, favorecendo o turnover protéico e promovendo uma maior síntese protéica. (1,2,5). 

Porém a creatina pode trazer também um beneficio importante para atletas e pessoas que pratiquem alguma atividade física de alta intensidade. O que acontece é que muitos atletas realizam um alto volume/intensidade de treinamento semanal, o que pode ocasionar aumentos em marcadores de lesão e inflamação muscular. 

Estudos têm demonstrado que a suplementação com creatina pode diminuir a concentração de alguns desses marcadores de lesão muscular como CK, LDH, prostaglandina-E2 (3,4). 

Esses tais marcadores são utilizados como indicadores de estado de treinamento do individuo. Uma seqüência de aumentos desses marcadores associada a períodos insuficientes de descanso e um planejamento inadequado de treinamento pode prejudicar o sistema imunológico do atleta, acarretando a uma maior probabilidade de infecções virais e até mesmo um quadro de overtraining. 

Assim é possível afirmar que a suplementação com creatina pode ir muito além de ganhos de força e massa muscular, e quem sabe novos benefícios não serão descobertos através de artigos científicos. 

Por Gustavo Barquilha Joel

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Faixa elástica: boa, barata e eficiente


Foto: Darcio Tutak
Com o tempo cada vez mais escasso, a faixa elástica (rubber band) pode ser uma boa alternativa para quem quer fazer exercícios com um equipamento compacto e de baixo custo. A faixa pode ser levada para qualquer lugar e permite que o praticante não interrompa seus treinamentos.

Uma recente pesquisa (J. Strength Cond. Res., vol 22, 1441-1448) aponta os efeitos do uso das faixas, numa comparação ao uso de aparelhos de musculação tradicionais. No estudo, 45 mulheres sedentárias de meia idade foram dividas em dois grupos:
- o primeiro fez musculação tradicional em aparelhos, duas vezes por semana
- o outro usou as faixas elásticas, também duas vezes por semana

Os dois grupos realizaram seis exercícios para os principais grupos musculares por sessão; em 3 séries de 8 repetições, durante 10 semanas (dois meses e meio).
 
Resultados:
- o grupo que trabalhou com as faixas elásticas teve ganho de 0,5 kg de músculos, passando de 40,8 kg de massa magra para 41,3 kg após os exercícios;
- o grupo que usou aparelhos tradicionais teve ganho de 1 kg, passando de 40,1 kg para 41,1 kg de massa magra

O estudo não pretende dizer o que é melhor ou mais eficiente, mas apenas mostrar que as faixas elásticas trazem benefícios. E podem ser uma ótima opção, no mínimo, para quem esteja iniciando na prática esportiva.

Por Renato Dutra

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jay Cutler vence, faz história, e retorna ao seu trono de Mr. Olympia

Saiba o que houve de melhor no Mister Olympia de 2009

Por Dário Rubens Ferreira (Tony) 
Preparador Físico, CREF 044358-P/SP
Campeão Paulista de Fisiculturismo

Apresentado por Bob Chicherillo, o Mr. Olympia 2009 teve algumas surpresas. Puxa então ele é o...? Calma, vamos deixar o melhor para o final.

Na categoria 202 Showdown, no meu ponto de vista fiquei um pouco decepcionado. Porque primeiro percebi que não teve uma apresentação individual com as musicas, e as habituais rotinas de poses de cada um. Os atletas eram chamados e alinhados ao lado no palco, e cada um deles seguia ao centro e fazia três ou quatro poses e só. Veja bem, estou falando das finais desta categoria. E na hora da premiação, que fiasco! Aliás, acho que o corpo de arbitragem precisa de óculos, talvez eu mande os meus para eles. Vamos a apreciação dos top 5 desta categoria.

Kevin English. Não sei se vocês se lembram, na outra matéria, quando mencionei que não via este competidor como o campeão, sentia que ele não seria o atleta em condições ideais para ganhar o título desta categoria. Mas, como cada ano e cada campeonato tudo pode acontecer, acreditem, ele ganhou. E para a minha surpresa, com um shape que não me agradou muito e com um abdômen liso levou a melhor sobre o David Henry ficando em primeiro. Aliás, Kevin pra mim só tem um que é, KEVIN LEVRONE O GRANDE os outros Kevins por ai são conversa fiada.

Kevin English

David Henry. Com um shape superior, super trincado, ótima proporção, ficou em segundo lugar. Que coisa, como pode ser isso? Pois é, são coisas dos campeonatos, que aliás, nem sempre vence o melhor. Mas parabéns para David Henry que pra mim foi o legítimo campeão.

David Henry

Eduardo Correa. Estreou muito bem, mas ficou em terceiro lugar. Bem volumoso, com a perna fibrada, peitoral maciço e um bom par de braços seguido de costas bem marcadas. Parabéns ao nosso grande campeão, e acredito que no próximo ano virá ainda melhor!

Eduardo Correa

Mark Dugdale. Quarto lugar para este atleta de ótimo conjunto, boa densidade, e glúteos estriados. No geral ele estava muito bem, e assim como ele, também não achei justa sua colocação.

Mark Dugdale

Flex Lewis. Também possui boa linha, bons braços, e no geral estava bem. Mas, entendo que faltou secar mais, porém ele é o tipo do atleta que vai dar trabalho pra turma se chegar bem seco e rasgado. Vamos esperar como ele vira nos próximos eventos.

Flex Lewis

Mas na verdade acho que esta categoria não foi julgada de forma muito correta. Se eu fosse dar as colocações, seria assim: quinto lugar Flex Lewis, em quarto lugar o tal Kevin English, em terceiro lugar Mark Dugdale, em segundo lugar EDUARDO CORREA! E em primeiro lugar, continuaria sendo o David Henry, que seria duas vezes o campeão da categoria 202. Mas vamos ver quais serão as surpresas para o próximo ano. Enquanto isso, ficamos aqui na torcida para que o nosso grande campeão Eduardo Correa seja o número 1 da 202 no Olympia 2010.

Eduardo Correa

E sobre o Olympia 2009? Ok vamos lá. Logo quando saíram as fotos no press conference dei uma olhada no rosto de Jay Cutler, e vi que estava bem chupado! Depois de um prejulgamento apertado fiquei realmente pensando se o Dexter Jackson seria campeão de novo. Pois Dexter foi diversas vezes comparado com o Jay em várias poses.

No dia seguinte já nas finais, um a um os atletas foram se apresentando, e entretendo o público com as músicas que usavam em suas performances. Enquanto se apresentavam, eu ouvia os comentários de fundo e falava-se: "estão pensando em pagar o prêmio de 1 milhão de dólares para o Mr. Olympia de 2010." Já pensaram nisso? Isto que estamos falando apenas do prêmio para o campeão. Agora somem isso a patrocínios das melhores marcas de suplementos, seminários pelo mundo a fora e muito mais! Não é a toa que eles andam "mau das pernas" com seus pobres carrinhos tipo Viper, Corvete, Lamborghini e por aí vai. Pensando nisso, acho que já da para alguns deles comprarem uma pizza na promoção, quando saírem da dieta!

Agora dêem uma olhada com atenção nesta foto que é do posedown onde Dexter Jackson e Branch Warren estão cabeça a cabeça fazendo a pose mais musculosa, um para o outro. Vejam no detalhe, o Jay Cutler que está ao lado faz um gesto com o dedo na boca pensando: "Garotinhos, o melhor ainda está por vir!" E não deu outra, vamos ver na analise.

Olympia 2009

Jay Cutler. Ele fez história! Merece todo o mérito de um verdadeiro campeão, após ter perdido seu título para Dexter Jackson em 2008. Desta vez ele chegou na sua melhor forma, desde a sua ultima vitória no Olympia de 2006. Talvez até melhor do que no Olympia de 2001 quando ficou em segundo controvertido lugar, perdendo para Ronnie Coleman. Grande, denso e bem seco, especialmente nos quadríceps e também com os glúteos estriados. No geral ele era puro detalhe, foi o melhor Jay Cultler que eu já vi! E mais uma vez está de volta ao seu trono de Mr. Olympia, igualando-se a Frank Zane e Sergio Oliva. Parece que ele está em boa companhia. Imaginem, os outros atletas devem estar morrendo de inveja. Parabéns a Jay Cutler! E que venha mais títulos, por todo a sua jornada no mundo do fisiculturismo.

Jay Cutler

Branch Warren. Devido a uma lesão no tríceps, ele não disputou o Olympia de 2008. Mas, sem dúvida foi a grande surpresa da noite, ficando em segundo lugar depois de Jay Cutler. Com a trilha sonora de Conan o Bárbaro ele se apresentou muito bem! Deixando todos de olhos bem abertos com sua condição física que mostrava. Enorme, também muito denso e com uma perna que penso não ser deste planeta. Acredito que Tom Platz estava lá para conferir isso de perto. Pena que não pose bem, e tem pouco carisma. Se ele unisse esses dois quesitos ao seu físico colossal, seu show seria ainda mais completo.

Branch Warren

Dexter Jackson. Com ótima simetria, proporção, e shape, ele ficou em terceiro lugar igualando seu títulos a Larry Scott e Franco Columbo. Talvez se estivesse com pouco mais de detalhe no quadríceps, se sairia melhor. Agora, não concordo com sua atitude após a colocação e a premiação de Jay Cutler que recuperava seu titulo. Não teve atitude de campeão como eu esperava, saio meio de lado com cara de poucos amigos. Afinal ganhar é muito fácil, você recebe os prêmios, todos o parabenizam e tudo termina bem! Agora, perder faz parte da história, e é nessa hora que ele deveria mostrar que é um campeão. Mas eu compreendo, afinal ninguém gosta de perder mesmo. Vamos ver como será no próximo Olympia. Talvez ele venha e surpreenda a todos como fez Jay Cutler. Mas esta é uma outra história.

Dexter Jackson

Kai Greene. Ele que vem melhorando em suas apresentações, ficou em quarto em seu Olympia de estréia. Acredito que veio meio off em relação ao Arnold Classic que ali sim estava exelente! Também possui ótimas pernas, super detalhadas, junto a Branch Warren que em minha opinião são as melhores da atualidade. Mas sua apresentação é um tanto quanto diferente, fazendo poses de cabeça pra baixo e algumas manobras até interessantes. Parabéns a Kai Greene.

Kai Greene

Phil Heath. Ficou em quinto lugar e muito desapontado, "The Gift" como é chamado parece ter sofrido alguma virose estomacal na sexta à noite, horas antes do prejulgamento, e por causa disso teria baixado seu peso cerca de oito quilos. Contudo conseguiu se mostrar mais completo e mais cheio nas finais de sábado à noite. Apesar do ocorrido, este jovem atleta certamente possui potencial para ir muito mais longe.

Phil Heath

Vitor Martinez. Sexto lugar para ele. Só faltou mais qualidade, tem uma excelente estrutura, ótimas costas, peitorais e tudo mais. Grande potencial, e esperamos vê-lo em melhor colocação no próximo Mr. Olympia.

Vitor Martinez

Como vimos, este Olympia deu o que falar. Todos ficamos surpresos com a vitória de Jay Cutler recuperando o seu titulo, após tê-lo perdido para Dexter Jackson em 2008. Agora vamos ver o que nos aguarda em 2010. Até a próxima.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Você está no comando?

Conhecer o funcionamento do organismo é o primeiro passo para a longevidade saudável e feliz. E nunca é tarde para começar a se cuidar: a partir dos 50 anos, é possível controlar 80% do destino de sua saúde. Sim, até mesmo para quem foi relapso nas décadas anteriores. 

Se você chegou aos 50 anos varando as noites no escritório, trocando a ginástica por uma horinha a mais na cama, driblando a salada e os grelhados, é bem provável que tenha desistido de levar uma vida saudável, porque "é tarde demais". Pois bem, a ciência da longevidade traz boas-novas. Se você chegou aos 50 anos com uma rotina pouco saudável, mas livre de doenças mais graves, saiba que tem 80% de chance de chegar à velhice, e em boa forma (os outros 20% continuam a caber à genética). Ou seja, quanto e como viver daqui para a frente está em suas mãos. Basta não achar que é tarde demais para mudar. "Modificar os maus hábitos aos 50 é quase tão bom quanto nunca tê-los tido", diz o médico Wilson Jacob Filho, diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. E a chave para o envelhecimento proveitoso e feliz é não fumar, praticar exercícios físicos, dormir bem, alimentar-se de forma adequada, evitar o stress e blá-blá-blá... A ladainha dos hábitos saudáveis sempre foi muito maçante, convenhamos. Mas um livro lançado nos Estados Unidos pode tornar a coisa menos chata e até divertida. Com uma linguagem bastante simples, a versão atualizada e ampliada de Você: Manual do Proprietário, dos médicos americanos Michael Roizen e Mehmet Oz, é um dos mais ricos compêndios sobre o funcionamento do corpo humano, a importância de prevenir os efeitos do envelhecimento e, principalmente, como fazê-lo. Uma das lições do primeiro capítulo: "Conhecer seu corpo lhe dá o poder de mudá-lo, mantê-lo e fortalecê-lo".

O poder de cada um sobre o destino de sua própria saúde, paradoxalmente, aumenta com o passar do tempo. "Quanto mais velho você for, maior será esse controle", disse Roizen em entrevista a VEJA. Médico da Cleveland Clinic, Roizen foi o criador, na década de 90, do conceito da idade real. Ele sustenta que as pessoas não têm necessariamente a idade indicada em seus documentos. Do ponto de vista biológico, podem ser mais jovens ou mais velhas, dependendo do modo como cuidam de si mesmas ao longo da existência. Conforme os anos avançam, enquanto os genes vão perdendo a capacidade de causar maiores danos por si só, o estilo de vida ganha mais relevância. Em geral, as doenças genéticas se manifestam nos primeiros vinte anos de vida. Depois dessa fase, são os hábitos que ativam ou não os genes associados à maioria das doenças crônico-degenerativas. Para se ter uma ideia de tal equação, basta lembrar que a genética controla cerca de 75% do desenvolvimento de um feto. Se o embrião carrega mutações genéticas graves, ainda que a mãe siga todos os preceitos da boa gestante, ele não vinga. É um dos mecanismos biológicos mais importantes para a proteção e a perpetuação da espécie. Se o feto, no entanto, possui uma genética favorável, mesmo que ele seja exposto a comportamentos inadequados da mãe, como fumar ou beber, ainda são boas as chances de ele nascer com saúde.

Na corrida em busca da longevidade feliz, os "saudáveis de última hora" largam em desvantagem em relação aos "sempre saudáveis", mas, na maioria das vezes, conseguem alcançá-los. Para constatar os benefícios de tal reviravolta, tente identificar na academia os alunos recém-matriculados, os que se exercitam há seis meses e os que treinam há seis anos. Os novatos são facilmente reconhecíveis: além da roupa nova e dos tênis branquinhos, sobram gordurinhas e falta tônus muscular. Já quanto aos outros dois tipos, ganha um prato de salada quem conseguir notar a diferença. "Seja qual for a idade, quem pratica atividade física há seis meses se aproxima muito mais de quem se exercita há seis anos do que de quem ainda está abandonando o sedentarismo", diz Jacob Filho. Os benefícios proporcionados pelos hábitos saudáveis não demoram a ser sentidos – e notados. Com a palavra, Roizen: "Em geral, num prazo que não ultrapassa três semanas, você passa a se sentir melhor. E, em três meses, já percebe que tem mais energia". Essa é a sensação que, segundo ele, resulta do controle sobre o destino de nossa saúde.

O grau de domínio que temos sobre nosso organismo está estampado em nossa aparência – e não apenas em nossas células, fibras musculares, neurônios ou hormônios. "A aparência física é o espelho do autocuidado", define o médico Renato Maia Guimarães, presidente da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria. Obviamente não se trata aqui de uma avaliação de beleza. Devem-se desconsiderar também as intervenções feitas com o intuito de disfarçar a passagem do tempo, como as cirurgias plásticas ou as injeções de Botox. Uma pele sem viço e manchada, por exemplo, pode ser indício de que a pessoa abusa do cigarro, economiza no filtro solar ou não toma água em quantidade suficiente. Mas talvez o maior marcador de saúde, no campo das aparências, sejam os dentes. "Quem não cuida da saúde bucal não cuida de vários outros aspectos", diz Guimarães. Além da higiene inadequada, dentes amarelados e manchados podem significar excesso de nicotina ou de açúcar. Dentes muito pequenos podem ter sido desgastados em crises constantes de ansiedade. Gengivas vermelhas e inchadas podem indicar inflamações decorrentes de um quadro de diabetes malcuidado. Parafraseando o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), só os maus médicos não julgam pela aparência.

Embora os conhecimentos da medicina avancem a passos largos e se disseminem num ritmo ainda mais intenso, por que as pessoas têm tanta dificuldade de mudar seus hábitos de vida? "Um dos maiores obstáculos é o desconhecimento sobre o funcionamento do próprio organismo", diz o geriatra Ângelo Bós, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul. No livro Você: Manual do Proprietário, pelo menos a metade do conteúdo é dedicada a desvendar alguns dos mitos levados pelos pacientes aos consultórios de Roizen e Oz. A seguir, os mais comuns deles:

 Você saberá quando o infarto estiver se aproximando

Cerca de 30% dos infartos são assintomáticos. Ou seja, não causam dor no peito, suor excessivo ou falta de fôlego. "A ausência de sintomas é comum entre os pacientes vítimas de um infarto de pequena proporção ou entre os diabéticos", explica o cardiologista Marcus Malachias. Nesse último caso, o excesso de glicose no sangue danifica os nervos, alterando sua capacidade de conduzir o estímulo da dor.

 Uma artéria com 90% de obstrução é mais perigosa do que uma artéria com 50% de obstrução

O infarto não ocorre somente pelo entupimento arterial. Ele também pode ser causado pelo rompimento das placas de gordura. As placas menores têm consistência mais gelatinosa e, por isso, são mais propensas a se romper. Como são mais enrijecidas, as placas maiores oferecem menos perigo. A obstrução provocada pelo rompimento de uma placa pode acontecer a qualquer momento. A obstrução desencadeada pelo crescimento de placa, por sua vez, é gradual.

 Quanto mais caros são os tratamentos dermatológicos, maior é o benefício para a pele do rosto

"Com 70 reais por mês, é possível manter a pele do rosto dez anos mais jovem", diz o dermatologista Adilson Costa, da PUC de Campinas. É o suficiente para comprar um produto composto de três ingredientes antienvelhecimento básicos: ácido retinoico, fator de proteção solar e substâncias hidratantes.

A desinformação sobre o funcionamento do próprio corpo, por mais estranho que pareça, começa na escola. O corpo humano é apresentado aos alunos por meio de explicações excessivamente teóricas e, não raro, superficiais. Tome-se como exemplo o que um estudante de 10 anos aprende nos livros didáticos sobre o coração: "O coração é um órgão oco. Dentro dele existem quatro cavidades, duas em cima e duas embaixo. É nessas cavidades que o sangue entra e sai quando é bombeado. As cavidades superiores são chamadas de átrios e as inferiores, de ventrículos...". Está correto, mas também é... desprovido de coração, por assim dizer. "A informação se torna interessante sobretudo se for relacionada a um contexto", afirma a bióloga Regina Pekelmann Markus, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. No caso do ensino do corpo humano, isso significa associar seus mecanismos à saúde, às doenças, a hábitos de vida. É de criança que se aprende a ficar velho.

sábado, 24 de outubro de 2009

As vantagens da musculação: força e saúde


musculacao-renato

Nem sempre os exercícios aeróbios - nadar, caminhar, pedalar, correr – são os únicos responsáveis pela boa saúde. De acordo com uma recente revisão bibliográfica realizada por dois cientistas da universidade de Gainsville, Florida (EUA), o treinamento resistido (TR) - nome mais tecnicamente correto para a musculação -, traz muitos benefícios. Fiquei surpreso ao encontrar tantas descobertas que mostram que "puxar ferro" é uma atividade bastante importante para a saúde. Veja a seguir:

TR e longevidade: praticantes de corrida e outras modalidades que desenvolvem o condicionamento cardiorrespiratório vivem mais. A boa notícia é que o TR também oferece este ganho, sendo que a maioria dos estudos sobre TR encontraram que a força muscular é inversamente proporcional ao risco de desenvolver diversas doenças, inclusive a síndrome metabólica. (Saiba mais sobre a síndrome)

TR e massa muscular: há uma boa quantidade de pesquisas indicando que o TR diminui ou impede a perda de massa muscular provocada pelo envelhecimento. Adultos perdem cerca de 0,46 kg de músculo por ano, a partir dos 50 anos. Isso sem mencionar os ganhos funcionais trazidos pelo TR, diminuindo ou prevenindo a incidência de osteoporose e as quedas, que resultam em fraturas, nos mais idosos.

TR e depressão: a literatura aponta que o TR alivia a ansiedade e a insônia em casos diagnosticados de depressão clínica. Isso acontece porque a musculação estimula a produção de testosterona e o GH (hormônio do crescimento) e inibe a síntese do cortisol, um hormônio que, em quantidades elevadas (situações de ansiedade, por exemplo). aumenta o stress, diminui as defesas do sistema imunológico e acentua o acúmulo de gordura no corpo.

TR e obesidade: as recomendações para prevenir ou tratar o sobrepeso e a obesidade enfatizam a adoção do exercício aeróbio. No entanto, muitos estudos apontam que o TR é bastante eficaz para elevar a taxa de metabolismo em repouso (o quanto de calorias o indivíduo queima sem fazer exercício), que diminui com a idade e está relacionado à perda de massa muscular. O TR diminui e interrompe esta perda e ainda promove o aumento da massa muscular, elevando o metabolismo em repouso. Ao acelerar o metabolismo, o processo de emagrecimento se torna mais rápido e facilitado. É comum pessoas que iniciaram um TR manterem o peso corporal, mas a maioria dos treinamentos resultam em redução da gordura corporal. O que parece fazer com que o peso permaneça inalterado é justamente o aumento da massa muscular. Em contrapartida, os programas que se baseiam somente em atividades cardiovasculares para emagrecimento causam diminuição da gordura corporal e do peso, sem exercer efeito significativo na massa muscular.

Por Renato Dutra

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

AÇÚCAR é a droga da vez?

Nos EUA, especialistas em saúde e nutrição começam a tratar o açúcar com o mesmo rigor que isolou o tabaco do convívio social – e o alvo número 1 é o refrigerante


André Petry, de Nova York




No dia em que o primeiro europeu colocou uma pitada de açúcar na bo-ca, o mundo começou a girar mais rápido. A data precisa desse acon-tecimento não foi registrada pela história, mas se deu em algum momento da Idade Média. De lá para cá, na vertigem da descoberta do açúcar, a civilização ocidental passou a mudar num ritmo intenso. "O açúcar redesenhou o mapa demográfico, econômico, ambiental, po-lítico, cultural e moral do mundo", diz a historiadora canadense Elizabeth Abbott, autora de um livro sobre a civilização do açúcar, Sugar, a Bittersweet History (Açúcar, uma História Agridoce). Em séculos de tragédia e glória, o açúcar transformou a alimentação do Ocidente, escravizou gerações de africanos nas Américas, foi combustível da Revolução Industrial, promoveu guerras e impérios, dizimou paraísos ecológicos, ergueu e pulverizou fortunas – e, nos trópicos, moldou a identidade brasileira. Movido pela sua energia calórica, o mundo segue girando rápido, tão rápido que estamos agora na soleira de outra mudança vertiginosa: o açúcar começa a ser considerado um vilão da saúde humana, um veneno tão prejudicial que merece ser tratado com o mesmo rigor empregado contra – suprema decadência! – o tabaco. Está mais perto o dia em que um pacote de açúcar trará a inscrição: "O Ministério da Saúde adverte: este produto é prejudicial à saúde".

O açúcar, em suas várias formas, é o grande promotor da obesidade, mas seus níveis altos no sangue podem ser associados a quase todas as moléstias degenerativas, do ataque cardíaco ao derrame cerebral e ao diabetes. Existem suspeitas científicas sérias de que o açúcar possa até ser uma das causas de alguns tipos de câncer. Na lista, está o câncer de pâncreas, o mesmo que matou o ator Patrick Swayze aos 57 anos na semana passada. Em Harvard, pesquisadores acompanharam 89 000 mulheres e 50 000 homens e descobriram que os refrigerantes podem aumentar o risco de câncer de pâncreas em mulheres, só em mulheres. Antes que os homens se sintam premiados pela natureza, outro estudo, que examinou 1.800 doentes, sugere que uma dieta açucarada pode aumentar o risco de câncer do intestino grosso em homens, só em homens.

Mas, se o açúcar, como o tabaco, subir ao patíbulo, o refrigerante se tornará o cigarro da vez. Nos Estados Unidos, já há um movimento, incipiente mas sólido, integrado pelos cientistas mais reputados do país, contra o consumo de refrigerante. Os estados de Nova York e do Maine discutiram a possibilidade de cortar seu consumo a golpes de imposto. Em Nova York, o governador David Paterson propôs uma alíquota de 18%, mas recuou depois de perceber a má vontade dos parlamentares e a força do lobby do açúcar, cujo poder é lendário na política americana (veja a matéria). Recentemente, um artigo publicado no New England Journal of Medicine causou furor ao defender uma taxa punitiva sobre os refrigerantes. A repercussão se deveu à assertividade do artigo – que sugere tratar o açúcar como se tratou o tabaco – e à identidade de seus autores. Um é Kelly Brownell, renomado epidemiologista da Universidade Yale. O outro é Thomas Frieden, que, trabalhando na prefeitura de Nova York, liderou o combate à gordura trans e fez 300.000 nova-iorquinos largar o cigarro. Agora, Frieden assessora o presidente Barack Obama como cabeça do CDC, órgão que cuida do controle e da prevenção de doenças.


EPIDEMIA DE OBESIDADE
Cena comum nas ruas de Nova York: um dia, americano obeso será pleonasmo?

Fechando o cerco, o professor Walter Willett, uma sumidade acadêmica que chefia o departamento de nutrição da escola de saúde pública de Harvard, lidera o lobby para convencer a indústria a adotar uma fórmula de refrigerante menos prejudicial à saúde. Quer que cada latinha ou garrafa tenha, no máximo, 50 calorias, o equivalente a três colheres de chá de açúcar. Uma lata de refrigerante normalmente tem 150 calorias, o equivalente a dez colheres de chá de açúcar. Um adulto que bebe uma lata com 150 calorias por dia pode chegar ao fim de um ano quase 7 quilos mais gordo. Elegantemente, Willett declarou: "Quando um adulto se acostuma a comer tudo doce, fica difícil apreciar a doçura suave de uma cenoura ou uma maçã". No mês passado, outro golpe duríssimo. Pela primeira vez na história, a American Heart Association, a entidade dos cardiologistas, divulgou limites específicos para o consumo de calorias de açúcar. Surpreendentemente, definiu níveis inferiores aos comumente recomendados. As mulheres não devem consumir mais que 100 calorias de açúcar por dia, o que corresponde a pouco mais de seis colheres de chá de açúcar. Para os homens, o limite diário é de 150 calorias, ou dez colheres.

Os EUA são a barricada mais potente contra o açúcar do refrigerante, mas não a única. A Inglaterra e a França estão proibindo a propaganda de refrigerantes na televisão. No México, onde a obesidade cresce num ritmo assustador, o refrigerante está sendo banido das escolas. Na Alemanha e na Bélgica, a proibição vale até para o comércio nas imediações das escolas. Na Irlanda, celebridades não podem fazer comerciais de refrigerantes dirigidos ao público infantil. O açúcar e a obesidade que dele advêm são um problema em todo o planeta, inclusive no Brasil. Examinando dados relativos a 2005, a Organização Mundial de Saúde estimou que 1,6 bilhão de seres humanos estejam acima do peso e 400 milhões, obesos. É um colosso de gordura, uma fartura de matar de inveja nossos ancestrais da savana africana, eles que, coitados, se arrebentavam por uma mísera caloria. Já surgiu um neologismo para sublinhar a dimensão global da obesidade – é a "globesidade". Com sua autoridade científica, Willett prevê: "Obesidade e diabetes serão o desafio de saúde pública do século XXI".

Obviamente, há diferenças entre o açúcar e o tabaco em termos de agressão ao organismo. A começar pelo fato de que nunca precisamos de tabaco para viver, mas necessitamos de açúcar – embora nos baste o açúcar encontrado naturalmente nas frutas, no leite e no mel, nos legumes e temperos. Do ponto de vista exclusivo do funcionamento metabólico humano, é inteiramente desnecessário o açúcar que se adiciona a alimentos e bebidas, sucos, bolos, balas, doces, pudins, chocolates e a uma infinidade de produtos que nem desconfiamos conter açúcar, como cerveja e massa de tomate. Como tudo o que é desnecessário ao metabolismo, o açúcar em excesso faz mal à saúde. Outra diferença é que o tabaco causa 95% dos cânceres de pulmão, mas o açúcar não é, sozinho, o responsável por 95% dos casos de obesidade ou diabetes. A obesidade tem raízes múltiplas. O hábito de comer fora, a popularização das lanchonetes de fast-food, a invenção do freezer e do forno de micro-ondas, o estilo de vida sedentário, a superoferta de alimentos a preços acessíveis, tudo isso contribui para a obesidade. Nos EUA, há um ingrediente adicional: as porções diabolicamente generosas. O americano preza o gigantesco, o monumental. Esse traço cultural aparece na preferência nacional pelas caminhonetes enormes, pelas casas que parecem castelos, pelas calças largas do hip hop e, claro, pelos pratos enormes. A batata frita do McDonald's é um indicador. Em 1960, cada porção tinha 200 calorias. Essa quantidade subiu para 320, 450, 540 e está em 610! Há estudos teorizando que o americano associa o tamanho das porções ao poder, à masculinidade. Assim, o jovem se sentiria mais macho ao entrar no cinema carregando não um saco, mas um balde de pipoca. Pode ser. Faz sucesso no país um lanche que se chama Del Taco Macho Meal. Pesa quase 2 quilos.

Apesar de todos esses fatores, o açúcar tem papel central na pandemia de obesidade, e o refrigerante é seu veículo mais popular, particularmente nos EUA. A América é a pátria da Coca-Cola, o único país do mundo cuja imagem é associada a um refrigerante. A Coca-Cola é o símbolo do sucesso americano. Ideologizada, sua marca representa o triunfo do capitalismo e, para os velhos comunistas italianos, nada mais era do que l'acqua nera dell' imperialismo. Os americanos bebem 56 bilhões de litros de refrigerante por ano, quatro vezes o consumo brasileiro. Como um sinal dos tempos, o consumo de bebidas açucaradas cai, enquanto a venda de refrigerantes diet cresce, em média, 3% ao ano – desempenho sem precedentes na indústria. Mas, de todo modo, os americanos são grandes devoradores de açúcar. Do açúcar de cana, consomem 9,6 milhões de toneladas por ano. E ainda devoram outro tanto do açúcar conhecido pela sigla HFCS, um xarope de milho com alto poder edulcorante que é mais rapidamente absorvido pelo organismo humano do que o açúcar de cana refinado.

Americano obeso corre o risco de virar pleonasmo. Eles estão por toda parte. Andam encostados às paredes para descansar a cada dez passos. Usam bengala, cadeira de rodas. Nos hospitais, há mesas de cirurgia especiais para recebê-los. Há fábricas de caixões reforçados para defuntos muito obesos. Os militares dizem que 25% dos jovens são pesados demais para se alistar. Teme-se que, pela primeira vez desde a guerra civil (1861-1865), a expectativa de vida caia devido às mortes por obesidade. A estatística é tenebrosa: 34,3% dos americanos com 20 anos ou mais estão obesos. Entre as crianças de 6 a 11 anos, que bebem hoje mais refrigerante do que leite, a incidência chega a 17%. No Brasil, a situação é menos grave, mas preocupa (veja a tabela).


O AÇÚCAR ESTÁ EM TODA PARTE 

O trabalho num armazém de açúcar no interior de São Paulo: ele está na economia e também na alma brasileira.


O refrigerante não virou o alvo número 1 do cerco ao açúcar apenas por causa do alto consumo. Há pesquisas mostrando que a ingestão de caloria em forma líquida pode ser mais prejudicial à saúde que a de caloria de alimentos sólidos. Por motivos ainda desconhecidos, a caloria em forma líquida dribla o radar do apetite humano e retarda a sensação de saciedade, o que nos leva a comer mais, e engordar. Com a caloria em forma sólida ocorre o contrário. Sempre que passa pela catraca, o apetite registra seu ingresso, reduzindo a quantidade do que precisamos comer para nos sentir satisfeitos. Tal como fez a turma do tabaco há meio século, os fabricantes de refrigerantes contestam essas informações científicas e usam suas próprias pesquisas. Susan Neely, presidente da American Beverage Association, que reúne as indústrias, já disse inclusive que não há prova de que o refrigerante cause obesidade. Como a venda tem caí-do e a obesidade não, isso é um sinal, diz ela, de que uma coisa não decorre da outra (como se fosse possível a obesidade oscilar no gráfico das vendas do atacado e do varejo). O professor David Ludwig, de Harvard, foi direto ao ponto. Examinou 111 artigos científicos. Descobriu que, dos estudos sem patrocínio da indústria de refrigerante, quase 40% apresentam conclusões contrárias aos interesses dos fabricantes. Dos artigos financiados pela indústria, todos – todos! – trouxeram conclusões que lhe são favoráveis.

Desde que o jornalista William Dufty (1916-2002) lançou Sugar Blues nos anos 70, um livro meio panfletário que virou um clássico na demonização do açúcar, disseminou-se cada vez mais a ideia de que açúcar engorda. VEJA consultou seis especialistas sobre os males que, com certeza científica, o açúcar em excesso pode causar, além da obesidade*. O resultado é uma devastação, porque um mal provoca outro, que por sua vez provoca um terceiro, colocando em movimento um carrossel que pode incluir cárie dentária, hipertensão, doenças cardiovasculares, derrame cerebral, falência renal, cegueira, doenças nervosas, amputações – e algo como seis a sete anos de vida a menos. É óbvio que ninguém que consome açúcar obrigatoriamente passará por esse calvário, e ninguém está proibido de beber uma lata de refrigerante, um copo de caldo de cana ou comer uma fatia de bolo. A questão está no excesso ou, mais propriamente, no que pode ser considerado o excesso.

A guerra contra o açúcar e suas diversas encarnações acabará produzindo, cedo ou tarde, mudanças sísmicas na vida de bilhões de pessoas. Ao atravessar o planeta das florestas da Polinésia até as Américas, a cana-de-açúcar alterou a dieta ocidental como talvez nenhum outro produto. Popularizou o sorvete, o chá, o café, o chocolate, o rum. Tomou de assalto nossos rituais afetivos. O açúcar está no chocolate do Dia dos Namorados. Está nos ovos de Páscoa dos pequenos, no pirulito com que docemente chantageamos a criança em troca de lhe sapecar um beijo. Está no bolo diante do qual os noivos bebem a taça de champanhe na festa de casamento. É difícil imaginar o mundo de hoje sem açúcar. O Brasil, então, é impossível.

Maior produtor e maior exportador do mundo, o Brasil está também entre os maiores consumidores. Mais que artigo econômico, o açúcar faz parte da identidade nacional. Na sua herança mais sombria, o açúcar é a escravidão negra, a açucarocracia, regime despótico do senhor de engenho. É o trabalho brutal, exaustivo e mutilante dos canaviais de ontem e hoje. Mas o açúcar também tem seu aspecto iluminado entre nós. Para o sociólogo Gilberto Freyre, ameigou nossas maneiras e gestos, amolengou as palavras do português falado no Brasil, que soa tão desossado, tão doce diante do português salgado e metálico de Portugal. O açúcar integrou-se de tal modo na alma brasileira que inspira sinônimos para todas as gradações. Na dose certa, é meiguice, suavidade, brandura. Com um grão de ousadia, é dengo e sedução. No exagero, é enjoo, tédio. O açúcar, sendo doce e amargo, é uma bela metáfora do próprio brasileiro, que funde em si mesmo, com desembaraço intrigante, o homem cordial e o homem violento. Que o açúcar tenha o destino que tiver de ter para que a humanidade seja saudável e feliz. Se um dia desaparecer da mesa, os brasileiros pelo menos terão o consolo de lembrar dele na doce, sensual e úmida definição do poeta Ferreira Gullar:

"Afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca."

 


 

 

Paulo Vitale

 

* Os especialistas consultados por VEJA: David Ludwig e Frank Hu (Harvard), David Katz e Kelly Brownell (Yale), Silke Vogel (Columbia) e Barry Popkin (Carolina do Norte), esse último autor de O Mundo Está Gordo, recentemente lançado no Brasil pela editora Elsevier.