segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A prática regular de exercícios físicos é uma espécie de elixir da juventude


Mesmo depois de tudo o que foi dito e escrito sobre as maravilhas que a ginástica pode proporcionar, ainda falta ânimo para começar a malhar? Aí vai uma sugestão: encare a prática regular de exercícios físicos como quem poupa dinheiro para uma aposentadoria tranqüila. Pessoas que se exercitam vivem mais e melhor. Depois de acompanharem durante 25 anos 17 000 estudantes recém-saídos da faculdade, pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, chegaram a uma conta tão simples quanto dois mais dois. Cada hora dedicada à atividade física rende duas horas a mais de vida. O sedentarismo está relacionado a 37% das mortes por câncer, a 54% dos óbitos por doenças cardiovasculares e a 50% dos derrames fatais. Vale a pena levantar-se do sofá, espantar a preguiça e começar a se mexer, não vale?

A importância da ginástica para a saúde começou a ser esmiuçada no fim da década de 60, pelo médico americano Kenneth Cooper. No livro Aerobics, de 1968, ele lançou a teoria de que a chave para manter o organismo em bom estado, especialmente o coração e os pulmões, eram os exercícios aeróbicos. Com o lema de que "mais é melhor", o doutor Cooper preconizava uma rotina de atividade física que se iniciava com corridas de 1,6 quilômetro em doze minutos, cinco vezes por semana. Progressivamente, o ritmo deveria aumentar até alcançar a marca dos 2,8 quilômetros, percorridos nos mesmos doze minutos. Era, sem dúvida, um exagero. Com as descobertas proporcionadas pela fisiologia do esporte, muita coisa mudou de lá para cá. Percebeu-se que o excesso de atividade física pode fazer muito mal à saúde. Os danos mais comuns são as lesões musculares, articulares e nos tendões. O próprio Cooper reviu seus conceitos e tornou-se um arauto da ginástica com moderação. As desabaladas carreiras foram substituídas por caminhadas diárias de 3 quilômetros em meia hora. Com essa rotina, é possível reduzir em até 40% a incidência de várias doenças crônicas. Cai o risco de infarto, derrame, diabetes, osteoporose, artrite e até depressão.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a musculação não tinha importância nenhuma para a manutenção de uma boa saúde. Servia apenas para tornear formas. Esse equívoco foi desfeito. Estudos recentes mostram que puxar ferro é tão benéfico quanto caminhar ou nadar – desde que, é claro, com a devida orientação de instrutores especializados. Trabalhar os músculos das pernas, por exemplo, faz bem ao coração. Com as pernas fortalecidas, o retorno do sangue ao coração é mais eficiente. A musculação também protege os ossos e as articulações. A contração muscular estimula as células produtoras de ossos a trabalhar com mais vigor e intensifica a fixação de cálcio no esqueleto, o que ajuda a prevenir a osteoporose, doença em que há uma perda progressiva de massa óssea. O aumento de músculos diminui o atrito entre as articulações, o que baixa o risco de artrose. Como são os músculos que sustentam o esqueleto, quando estão enrijecidos eles mantêm a postura certa. Não é à toa que os exercícios de musculação são indicados para muitos casos de dores nas costas. A musculação intensifica ainda a eliminação de glicose pelo organismo. O excesso de glicose no sangue é o que caracteriza o diabetes. Tem mais. Quem imagina que musculação não emagrece está redondamente enganado. Uma pesquisa americana mostra que, duas horas depois do término de um treinamento com peso, o organismo continua a queimar calorias.

O que se recomenda atualmente, em nome da boa saúde, é uma rotina de exercícios físicos que agregue atividades aeróbicas, musculação e alongamento. Essa é a forma mais indicada de melhorar e manter o fôlego, a força, a flexibilidade e a coordenação motora. À medida que o tempo passa, a importância disso tudo vai saltando mais e mais aos olhos. São essas características que permitem que uma pessoa de idade conserve a sua independência na execução de atividades corriqueiras. O jovem malhador de hoje, enfim, é o senhor sacudido de amanhã.


Fonte: http://veja.abril.com.br/especiais/saude2002/p_014.html