segunda-feira, 16 de março de 2009

Entrou areia? Entre em forma com o volei de praia.

Ainda bem. No vôlei de praia o atleta só tem a ganhar. Menos lesões, mais queima de gordura e a natureza como cenário

Por: Isabela Mena

Bronzeado, sarado e condicionado. É assim que ficam os praticantes do vôlei de praia. Tem mais: essa é uma turma que raramente se lesiona. Se você acha pouco, saiba que isso é bastante incomum no voleibol, um dos esportes mais praticados no país. Talvez por isso seja cada vez mais comum ver uma rede armada na areia. Sem preconceito de idade, o esporte atrai - e fisicamente permite - atletas na faixa dos 20 até aqueles que já passaram há muito dos 60 anos.


"Você vê muita gente praticando o vôlei de praia porque é um esporte envolvente, ligado à natureza e não machuca a articulação. Ao contrário, fortalece e isso mantém as pessoas jovens e saudáveis", afirma Rossini Freire de Araújo, preparador físico e coordenador da dupla Ricardo e Emanuel, campeões olímpicos em Atenas, medalha de ouro no último Pan, e nossa esperança de ouro em Pequim.

Um dos segredos de o vôlei de areia ter praticantes de todas as idades - incluindo aqueles com bastante idade - é a própria areia. Além de servir de amortecedor em casos de quedas e absorver o impacto das articulações na aterrissagem dos saltos, é justamente ela que impede as torções nos joelhos, pés e tornozelos, conhecidas de muita gente que teve de abandonar as quadras.

Mas não é só por preservar o corpo que o esporte ganhou popularidade. A melhor parte mesmo é poder praticar uma atividade completa, de vida longa, a céu aberto, brisa no rosto, à beira do mar. "O ambiente é saudável, você não enjoa nunca da natureza", diz Ricardo, 33 anos, que joga desde 1995.

A outra metade da dupla, favorita em Pequim, concorda. "A praia traz beleza para o esporte, as pessoas ficam mais bonitas por causa do bronzeado", diz Emanuel, 34, atleta do circuito brasileiro de vôlei de praia desde 1991. "E você tem mais criatividade, pode variar as jogadas, embora seja puxado. Nenhuma preparação física é tão intensa."

Quer fazer como Ricardo e Emanuel? Preste atenção nas dicas dos especialistas para tirar o melhor proveito do esporte.

BALANÇA, MAS NÃO CAI

Por ser um tipo de solo instável, faz com que o organismo mantenha sempre alerta um sistema responsável pela manutenção do equilíbrio corporal, o proprioceptivo. Ao sinal de desequilíbrio, uma mensagem é enviada ao cérebro para que o músculo se contraia, protegendo a articulação e sustentando o corpo. "É um mecanismo de defesa eficiente, que evita ruptura mesmo quando o atleta pisa errado", diz João Gilberto Carazzato, professor da faculdade de medicina esportiva da USP e integrante da comissão médica de voleibol nas Olimpíadas de Los Angeles, Seul e Barcelona.

O desequilíbrio constante causado pela areia é tão efetivo em relação ao sistema proprioceptivo que é utilizado por fisioterapeutas como técnica de recuperação. E fora da areia? Bem, isso vai melhorar seu equilíbrio em geral e também seus reflexos.

ACADEMIA NA AREIA

Parece bom demais para ser verdade, mas é. No vôlei de praia, o corpo é exercitado por inteiro, com resultados que beiram à perfeição. Pense bem: se andar no chão fofo já é difícil, correr e pular são tarefas árduas. No jogo, essa resistência ao deslocamento age praticamente como uma musculação nos membros inferiores.

Mesmo que para cada movimento haja um músculo com papel de destaque, ele nunca faz o trabalho sozinho. A ação em conjunto, uma seqüência de contrações musculares, é chamada de cadeia sinética. O resultado tem um nome que você vai gostar mais ainda: músculos definidos.

E os membros superiores não ficam atrás. Nos movimentos de ataque, como a cortada e o saque, o trabalho muscular é feito em conjunto, dando força e definição a braços, costas e abdome. "É um esporte que exercita o corpo inteiro, todos os grupos musculares estão envolvidos", diz o fisiologista Paulo Zogaib, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo.

 Quem ganha

No salto: o músculo anterior da coxa e a panturrilha, por exemplo, são os mais exigidos, mas todos os músculos dos membros inferiores são solicitados.

Cortada e saque: utilizam principalmente o tríceps, os músculos dos ombros (deltóides anterior e posterior), o grande e pequeno peitoral, rombóide (músculo atrás das costas), ferratio (músculo entre as costas e costelas, abaixo. Na cortada, o esportista arqueia e usa a musculatura do abdome - principalmente o reto - e das costas, que trabalham em conjunto.

Manchete: agachamento e contração dos membros inferiores, extensão de braço e posicionamento da perna para direcionar adequadamente a bola.

Bloqueio: potência dos músculos inferiores, equilíbrio e mobilidade da parte central do corpo, contração do braço e equilíbrio do ombro (deltóide posterior) para que o braço fique firme e não vá para trás.

ABRA O CORAÇÃO

Haja fôlego! E quem ganha são pulmões e coração, já que freqüência cardíaca é constante e elevada. Vantagem, ou melhor, ponto para a capacidade cardiorrespiratória. Se o voleibol é um esporte anaeróbio (atividades breves de alta intensidade), o vôlei de praia é um dois-em-um da categoria: bastam três partidas para que a atividade seja também aeróbia. Isso acontece por causa do esforço extra exigido pela areia e pelo grande número de jogadas por atleta.

Coração solicitado continuamente e freqüência cardíaca elevada e constante resultam em melhora da capacidade cardiorrespiratória e, claro, perda de peso - em um jogo equilibrado, de cerca de 50 minutos, é possível queimar entre 600 e 800 calorias. Junte o trabalho dos músculos e o bronzeado saudável, e tem-se o corpo perfeito. Por dentro e por fora.

FIQUE MAIS ESPERTO

Não é só o físico que se beneficia com o vôlei de praia. Decidir quem vai na jogada, olhar parceiro, bola e campo adversário praticamente ao mesmo tempo, mudar estratégias no meio da partida desenvolvem capacidade de raciocínio, concentração, noção espacial e até mesmo o lado psicológico. Trabalhadas no esporte ao longo do tempo - sob cansaço, sol, sede -, essas características refletem positivamente na vida social.

O esportista consegue, de forma geral, manter equilibrado o nível de ansiedade, ter raciocínio rápido e, claro, aumentar concentração e foco. Profissionalmente é ainda mais difícil. Nos jogos do Circuito Mundial e das Olimpíadas, uma regra proíbe a presença do técnico no banco. Sem ele fica tudo a cargo dos jogadores, que têm de agir estrategicamente, mesmo sob pressão.

NÃO QUEIME A LARGADA

• Exercícios complementares para as regiões abdominal e dorsal reforçam a musculatura e ajudam no equilíbrio central do corpo.

• Para adquirir mobilidade da parte central do corpo, faça exercícios de agilidade, como corridas em pistas sinuosas.

• Reflexo e tempo de reação podem ser trabalhados com bolas de frescobol. O jogador tem que observar para onde vai a bola e reagir.

• Protetor solar, boné e óculos - mesmo em dias nublados ou chuvosos, porque protegem os olhos também da areia - são equipamentos tão importantes quanto a bola no vôlei de praia.

• Manter o corpo hidratado, ingerindo líquidos de tempos em tempos, não é recomendado, é obrigatório.

Deite e role 

Mais benéfica que prejudicial, a areia previne lesões e machucados


• Fofa, funciona como amortecedor, diminuindo o impacto na queda

• Evita lesões nas articulações dos membros inferiores

• Reduz o risco de torções ao permitir que o membro seja enterrado antes de virar

• Demanda um trabalho muscular forte dos membros inferiores

• Ao exigir mais do músculo, exige também mais da atividade cardiorrespiratória

• Dispensa o uso de tênis. Melhor para o bolso

NÃO DEIXE ENTRAR AREIA

• O atrito pode ser abrasivo para os pés e causar bolhas e queimaduras. Como prevenção, alguns jogadores usam um tipo especial de sapatilha

• A areia reflete 17% da luz do sol. Nada que um bom filtro solar (há produtos próprios para a prática de exercícios físicos), óculos e boné não dêem conta  

 Fonte: http://menshealth.abril.com.br/fitness/conteudo_283531.shtml