sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bronzeamento artificial e câncer


bronze-menina

Desde a década de 70, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publica listas que indicam o potencial cancerígeno de diversas substâncias. Essas listas dividem os elementos estudados em algumas categorias:

Grupo 1: O agente é comprovadamente cancerígeno

Grupo 2A: O agente é provavelmente cancerígeno

Grupo 2B: Existe possibilidade do agente ser cancerígeno

Grupo 3: O agente não é cancerígeno

Alguns exemplos: tintura de cabelo, implante de silicone para os seios e paracetamol (princípio ativo de muitos analgésicos, como o Tylenol®), ficam no confortável grupo 3. Já cigarro, raio-X e pó de amianto ficam no temido grupo 1.

De tempos em tempos, o braço de oncologia da OMS se reúne para rediscutir a classificação. Desde outubro do ano passado os trabalhos têm sido intensos, e assim será até outubro deste ano. Nesse período foram agendadas reuniões para conferir a listagem. E, em junho deste ano, os cientistas discutiram o potencial cancerígeno dos diversos tipos de radiação, dentre as quais a radiação ultravioleta do sol e das lâmpadas de bronzeamento artificial. O veredito foi publicado semana passada na revista médica The Lancet Oncology.

Bronzeamento artificial é cancerígeno

As lâmpadas de bronzeamento artificial emitem raios ultravioleta A e B (UVA e UVB). A radiação atinge a pele que, em resposta, produz melanina, pigmento que dá o bronzeado.

Até a semana passada, a classificação do potencial cancerígeno do UVA, do UVB e das lâmpadas de bronzeamento artificial era dado como 2A, ou provavelmente cancerígeno. Mas isso mudou. Agora, UVA, UVB e lâmpadas de bronzeamento artificial estão no grupo 1. São cancerígenos, lado a lado com cigarro, raio X e plutônio. Os cientistas responsáveis se basearam em estudos que mostram aumento de casos de câncer de pele e de olho em freqüentadores de câmaras de bronzeamento. Um deles mostra que usuários com menos de 30 anos aumentam em 75% seu risco de desenvolver melanoma, o mais mortal tipo de câncer de pele.

Essa mudança na classificação ecoa o que dermatologistas do mundo todo não cansam de repetir: bronzeado não é sinal de saúde. E fazer bronzeamento artificial é cancerígeno.

E o sol?

A classificação da radiação solar não mudou. Permanece a mesma: grupo 1. Por isso, não se exponha exageradamente ao sol, evite os horários de pico e use filtro solar.

Por Lucia Mandel