segunda-feira, 8 de março de 2010

Pés descalços, menos lesões



Recente estudo publicado na revista Nature aborda a discussão entre correr descalço ou com calçados desenvolvidos pelos fabricantes de tênis. Duas das conclusões apontadas pelos pesquisadores em chamaram a atenção:

- a indústria de calçados esportivos ainda não conseguiu desenvolver tênis que permitam distribuir o impacto e ao mesmo tempo não alterar a biomecânica da pisada, que também tem seus próprios mecanismos de proteção contra o impacto;

- correr e andar descalço, em pequenas quantidades, pode trazer benefícios, como fortalecer a musculatura intrínseca dos pés e melhorar a propriocepção (capacidade do corpo em responder de forma segura à mudanças de direção, superfícies irregulares e também de modular eficientemente a distribuição do impacto).

Outras pesquisas também mostram evidências de que pessoas habituadas a correr descalças apresentam incidência de lesões inferior a grupos que correm calçados.

Um estudo mais antigo já apontava aos fabricantes a necessidade de repensar o conceito de "proteção" contra o impacto. Nesta pesquisa, verificou-se que as pessoas que utilizavam os tênis com maior amortecimento apresentaram incidência de lesões 123% mais alta em relação aos que usavam modelos mais baratos/simples.

Há uma hipótese ainda não comprovada. Teoricamente, um calçado que ofereça excesso de proteção inibe importantes e eficientes mecanismos de proteção que o próprio corpo tem. Talvez seja por isso que correr descalço oferece maior proteção natural do corpo.

Gosto de correr, uma vez por semana, por 5 minutos na grama. Além da agradável sensação, noto que melhora minha consciência corporal. Para quem ainda não está adaptado, correr por 1 minuto, uma vez por semana, e ir aumentando 1 minuto por semana até chegar em 5 minutos no total já seria um bom estímulo ao corpo.

Correr descalço em concreto ou asfalto está fora de cogitação, pois a estrutura do corpo não foi feita para estas superfícies.

Por Renato Dutra