terça-feira, 8 de junho de 2010

Doze motivos para que o golfe seja o maior dos esportes

No feriado do Memorial Day, segunda-feira, até os golfistas casuais devem ter tirado a poeira dos tacos para jogar pelo menos alguns buracos. E tenho certeza de que houve um momento na partida, talvez uma tacada perfeita, que levou um sorriso ao seu rosto, e o fez perceber que o quanto ama esse esporte. Quem não joga não sabe, mas quem se importa?publicidade


Para celebrar o final de semana que abre a temporada de golfe deste verão nos Estados Unidos, eis meus 12 motivos para que todos amemos o golfe:

O golfe promove a liberdade, em campo de jogo com poucos limites

Que outro esporte é disputado em um campo com 80 ou mais hectares? Beisebol, softball, futebol e futebol americano têm linhas rígidas, definidas. O mesmo se aplica ao tênis e basquete, ao hóquei e às pistas de automobilismo. Aliás, até as pistas de boliche têm calhas.

No golfe, há um espaço imenso em que jogar, e cada buraco pode ser jogado como o golfista preferir.

O equipamento é bacana

É divertido e até educativo considerar todos os pequenos detalhes do golfe: os tacos, as luvas, o marcadores de bolas, os tees, as ferramentas de reparos do gramado, os cravos substituíveis nos sapatos, as garras especiais para tacos, os eixos flexíveis, os chapéus, as roupas de chuvas, o GPS. Para não mencionar todos os apelidos desses equipamentos. Nem uma agência de espionagem se diverte tanto com nomenclatura.

No golfe, impera o acaso

Que outro esporte permite encher os sapatos de areia, molhar as meias, derramar molho na camisa, suar o boné, enlamear os fundilhos das calças, criar bolhas nas mãos, bronzear só a nuca e carregar um sapo na sacola de tacos? (E nós gostamos disso tudo.)

O golfe oferece as melhores paisagens


Admito, alguns estádios de beisebol oferecem boas vistas dos edifícios de uma cidade. Alguns estádios universitários de futebol americano permitem vislumbrar um campus ajardinado. Mas os ginásios de esportes são cada vez mais parecidos, e ruidosos como um aeroporto. Quem pesca, caminha na natureza, surfa ou esquia tem direito a debater, mas comparado a todos os demais esportes muito praticados, o golfe não tem igual no que tange a cenários. Centenas de pistas de golfe margeiam o oceano, outras centenas estão cercadas de florestas, centenas mais oferecem lindas vistas montanhosas e ainda restam centenas que permitem contemplar vales e parques.

Quem quer que tenha dado uma tacada à beira do Pacífico no 18° buraco do clube de golfe de Pebble Beach nunca mais evocará com poesia a experiência de assistir a uma partida de beisebol por trás do outdoor em Fenway Park.

O golfe envolve muitos parceiros na natureza

Cervos, tartarugas, raposas, coelhos, pardais, esquilos, castores, alces, trutas, percas, falcões, garças, tatus, perus, lontras, grilos, lagartas, borboletas e até crocodilos - tudo isso de graça em uma pista de golfe.

Jogar sozinho

Já ouviu falar que correr dá barato? Os golfistas sentem coisa parecida ao jogar em uma pista vazia, caminhando em silêncio pela paisagem verde no ritmo que preferirem.

Chegar sozinho e arrumar companhia para jogar

Experiência completamente diferente, como um encontro às escuras, mas o resultado quase sempre é melhor, porque não importa caso você nunca mais volte a encontrar aquelas pessoas. Uma pequena dose de confiança permite conhecer pessoas incríveis e as mais bizarras técnicas de golfe. Quem precisa de reality shows? Basta chegar a um clube de golfe em um sábado movimentado e dizer que está sem grupo.

Procurar uma bola perdida na mata

O que encontro nas matas sempre me deslumbrou. Um pé de sapato náutico - e como teria chegado lá? Uma calculadora. Um chapéu e óculos. Bem, talvez eu esteja assistindo demais a "NCIS", mas vamos tentar reconstituir a cena: um sujeito erra a tacada entre as árvores e a bola cai em uma área alagada. A raiva o leva a jogar o boné no chão (os óculos estavam na aba). Ele tenta tirar a bola da água com uma tacada, e acerta, mas perde o equilíbrio e cai sentado na poça, perdendo a calculadora e um sapato. Mas nem percebe porque está correndo para o green a fim de concluir o buraco e manter o par.

Ótima trilha sonora

O som firme do taco ao colidir com a bola. O ruído seco de uma tacada de bunker bem jogada. O som da bola deslizando pelo green. O choque dos tacos na sacola durante a caminhada. O silêncio que se segue a uma tacada entre as árvores, provando que a bola não atingiu nenhuma delas. E o som da surpresa e das risadas atônitas quando alguém acerta uma tacada de 18 metros por sobre um obstáculo: delícias auditivas que encontramos a cada pista.

Qualquer um pode jogar

Não é preciso ser especialmente alto ou forte - corpos de qualquer tipo podem se sair bem. Basta ver pela PGA e LPGA, que abrigam golfistas de todos os tamanhos e formatos. A idade importa pouco, a não ser para os profissionais. E até a falta de flexibilidade ou atletismo pode ser compensada pela experiência. Ao longo dos anos, perdi muitas apostas para golfistas de 60 e 70 anos em meu clube, porque as tacadas deles têm precisão cirúrgica. Basta ser bom nos putts para ser golfista, e quem não consegue acertar a bola no buraco?

Você pode e deve jogar com sua família e amigos, homens e mulheres

O fato de que homens, mulheres e crianças joguem golfe amistosamente em uma mesma pista é um dos maiores benefícios do esporte, em sua perfeita combinação de exercício e evento social. E há algo na dificuldade do golfe que aproxima todos os praticantes. Ninguém está imune a embaraços, e isso é muito libertador na dinâmica familiar.

A chance de acertar o buraco com uma só tacada

Em que outro jogo, em que outra atividade, é possível realizar alguma coisa que, naquele dado momento, representa o ápice da perfeição? Uma pessoa comum não pode entrar em campo e acertar a rebatida vitoriosa em uma partida de beisebol, mas pessoas comuns acertam buracos de golfe com uma só tacada, e a jogada é simplesmente perfeita. Nem mesmo Phil Mickelson ou Jack Nicklaus em sua melhor forma poderiam ter feito melhor naquele momento, naquele lugar. A chance dessa perfeição, e a busca por ela, é que faz com que nós, golfistas, persistamos.

E isso é algo que merece o nosso amor.

por Bill Pennington
The New York Times