quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Assoalho Pélvico: Músculos que Movem Articulações.





Estes dias mergulhei no livro Pelvic Power de Eric Franklin. Aliás, todas as imagens desta postagem são extraídas de seu livro e as fotos são de uma aluna, a Eleonora, e foram feitsa no meu estúdio pelo Fabio Heizenreder.


Ler este autor hoje é tão importante na minha prática profissional quanto ler Blandine Calais.
Aliás, por falar na grande mestra, ela acaba de lançar um livro que saiu pela La Liebre de Marzo chamadoAbdominales sin Riesgo (Abdominais Sem Risco).
Não é leitura fácil não...
"Mas por que Silvia?", me perguntem!
Pelos questionamentos extremamente lógicos a que nos conduz: por um lado estimulantes, nos fazendo ver que vamos indo bem, nos direcionando cada vez mais para o funcional, para as oposições de cintura (http://pilatespaco.blogspot.com/2009/10/6-polestar-international-conference.html ).
Mas, por outro, noz faz engolir em seco quando expõe com desenhos lindos e explicações coerentes, todos os possíveis efeitos e consequências que abdominais, dependendo da maneira como forem executados, podem exercer sobre assoalho pélvico, parede abdominal, e por aí vai.


Bem, voltando ao Pelvic Power, vamos estudar juntos alguns elementos que por si só, já tornam o encontro com os abdominais de Blandine mais deglutíveis.


A pelve é formada por uma série de articulações.
Fazendo fronteira com a pélvis, os quadris – articulação coxofemoral e a sacro ilíaca – um disco intervertebral (o famoso L5-S1) e duas facetas.
Dentro da pélvis, por assim dizer, encontramos as articulações com a sínfise púbica (SPB) de cada lado e com o sacro de cada lado
A sínfise púbica não é uma articulação verdadeira sendo formada de fibrocartilagem que não permite quase nada de movimento.
As articulações sacroilíacas (ASI) são juntas verdadeiras que possuem características específicas.
O lado do osso sacro é feito de cartilagem hialina típica de articulações flexíveis, enquanto o lado do ilíaco é coberto de fibrocartilagem, comumente encontrado em articulações rígidas. É uma articulação com duas faces: uma muito forte e estável e a outra sutilmente flexível.


Essas quatro articulações permitem que importantes movimentos sejam feitos no interior da pelve. As ASI e SPB são parceiras em uma cadeia fechada, o que significa que toda mudança de posição em uma das articulações promove efeitos nas demais.
A quinta articulação da pelve é a sacro coccígea entre sacro e o cóccix.


O cóccix pode se mover para frente e para trás ao redor desta articulação o que muda a tensão no assoalho pélvico. Existe também algum movimento entre as vértebras do cóccix
Com o avanço da idade o cóccix e a sacro coccígea podem se tornar calcificados. Isso pode ser evitado com o treino do assoalho pélvico.


Pelo foco da evolução, o assoalho pélvico é uma formação recente que acontece com a postura ereta. Para os quadrúpedes o assoalho do corpo é a parede abdominal e a parte frontal do tórax.
Para entendermos o desenvolvimento do assoalho devemos observar o desenvolvimento humano para a vertical.


Humanos e outros primatas iniciam como quadrúpedes cujas pernas se alongam horizontalmente para trás e, então, fazem a rotação de 90º. Desta forma o peso dos órgãos sai da parede abdominal e vai para a pélvis. Para que haja sustentação, a cauda, que antes era alongada e encompridava a coluna teve que encurtar e entrar para fechar o novo assoalho.


Muito bem!
Agora, como podemos nos aproveitar desse histórico de formação da pelve, bem como de suas articulações, na nossa prática de movimento?


Vamos pensar o seguinte: os músculos são feitos para mover nosso corpo, ou ainda mais especificamente, para mover articulações. Segundo Eric Franklin o corpo humano é extremamente econômico: onde não há necessidade de movimento entre ossos, não há músculos, mas tecido conectivo e ligamentos sem fibras contráteis.
Dentro da pelve temos vários músculos (http://pilatespaco.blogspot.com/2008/01/eleve-o-nus.html).
O movimento nas articulações pélvicas são pequenos e sutis. Devido a sua posição central, estes pequenos movimentos podem ter causar grandes efeitos – uma pequena mudança na pélvis pode significar uma grande mudança no pescoço, coluna ou pés.
Desta forma o assoalho pélvico deve ser fortalecido sutilmente e, de preferência, de maneira integrada.
Lembrem-se do que nos lembra Blandine Calais: o períneo é uma região pequena mas envolvida em funções múltiplas e complexas, desta forma não cabe insistir em treinos longos e demasiadamente focado.
Vale a pena desenvolver a consciência da pelve, através do despertar de suas articulações e, em seguida, promover movimentos a partir dela. Vale destacar que a pelve é o local do primeiro chacra ("our root, the earth on wich we stand", frase de C. J. Young que significa, "nossa raiz, terra aonde nos apoiamos"), nossa fonte primária de energia.


Num próximo post desenvolverei mais elementos para tomada de consciência destas articulações. Hoje, aproveito para compartilhar duas imagens lindas de uma gestante em movimento, associando com os desenhos de expansão e recolhimento do assoalho pélvico.


Fica a sugestão de trabalho, tanto para gestantes quanto para qualquer pessoa.


A partir de uma boa estabilização em quadrupedia, mãos sob os ombros, braços longos, compasso braço tronco ativado, fêmur paralelo aos braços. Deslocar o peso para frente e para trás mantendo uma boa estabilização da coluna neutra. (http://pilatespaco.blogspot.com/2009/04/pratica-estabilizando-em-quadrupedia.html)


Quando vamos para trás, naturalmente ocorre um afastamento entre, ísquios, púbis e cóccix. É como se abríssemos esses pontos desabrochando uma flor e permitindo o alongamento da musculatura do assoalho (transverso superficial, pubococígeo, elevador do ânus, etc.)





No deslocamento para frente, os pontos se aproximam, a musculatura do assoalho ( e o transverso junto) contrai, temos a famosa báscula do coccix (ver também http://pilatespaco.blogspot.com/2009/08/bascula-do-coccix.html) e a coluna... neutra!
Estamos falando de estabilização dinâmica da coluna com descarga de peso em membros superiores.
Ah! Mas qual era mesmo o foco do exercício ? Assoalho?
Está aí um claro exemplo de como colocar o trabalho de assoalho dentro do contexto das aulas.
Bata chamar a atenção do aluno para um movimento que já ocorre naturalmente, mas, desde que coloquemos a consciência nele, efetivamos e potencializamos o trabalho.





É isso aí! Experimentem e vamos compartilhar nossas sensações!


Bibliografia consultada: FRANKLIN, Eric, Pelvic Power, Elysian Editions; CALAIS Blandine, AbdoMinales sin Riesgo, La Liebre de Marzo e O Períneo Feminino e o Parto, Editora Manole .
Fonte: Silvia Gomes. http://www.blogger.com/profile/074092707 
Texto disponível em http://pilatespaco.blogspot.com/2010/08/assoalho-pelvico-musculos-que-movem.html