segunda-feira, 22 de novembro de 2010

É possível ser um gordinho saudável?

Muito se comenta a respeito dos efeitos nocivos do acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Há diversas pesquisas que relacionam a medida da circunferência abdominal com o risco coronariano. No entanto, há um grupo de pessoas que desafiam esse conceito. São indivíduos que, apesar de apresentar um sobrepeso considerável, são extremamente saudáveis, com baixos níveis de colesterol ruim (LDL, VLDL), colesterol bom elevado (HDL) e pressão arterial normal (120/80 mmHg). Eles são descritos pelos especialistas como os "gordinhos saudáveis".

Tive o privilégio de conhecer alguém com esse perfil, o Sr. Valdeci, carteiro há mais de 14 anos e que apresenta um grande sobrepeso. Ele aceitou a minha proposta de, durante uma semana de trabalho, usar um pedômetro (aparelho medidor do número de passos dados). Eu pedi ao Valdeci para colocar o pedômetro na cintura ao sair de casa e somente guardá-lo quando fosse dormir. Ele também deveria anotar o número de passos acumulados a cada dia da semana. Abaixo, é possível visualizar os resultados:
Como podemos observar, o Valdeci acumulou, em média, 21 430 passos por dia. Em relação a pessoas sedentárias, ele se movimenta quase quatro vezes mais que a maioria da população. Apesar do seu sobrepeso (IMC de 29,5), Valdeci apresenta pressão arterial normal (120/80 mmHg), índices de colesterol e glicemia saudáveis (ele realiza exames clínicos anualmente, por exigência da empresa). Conversando melhor com ele, descobri que sempre teve sobrepeso, desde criança. Seus pais também são gordinhos.
O que poderia explicar esse paradoxo? Acredito que a combinação entre fatores genéticos e atividade física regular favorecem a saúde. Em outras palavras, para uma avaliação completa, é preciso ir muito além de fatores superficiais, como o peso e a própria estética. A definição de "normal" deveria também considerar exames clínicos, que poderão surpreender até mesmo indivíduos bem magros e atléticos, com pressão arterial elevada e níveis alarmantes de colesterol ruim
IMC: O índice de massa corporal (IMC), calcula o peso ideal de uma pessoa com base no seu tamanho e peso. O índice de massa corporal é válido por um homem ou mulher adulta (18 a 65 anos).

O IMC é também chamado de índice Quételet (inventado pelo cientista belga Jacques Quételet, 1796-1874). A Organização Mundial da Saúde (OMS) define esse índice de massa corporal como o padrão para medir os riscos associados com sobrepeso em adultos.

Por Renato Dutra

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Macarrão instantâneo com tempero é campeão em sódio

Macarrão instantâneo, batata frita e biscoito de polvilho são os alimentos industrializados com maior teor de sódio, gordura saturada e trans, respectivamente.

A constatação é de um estudo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que analisou mais de 20 categorias de produtos.

O consumo elevado de sódio pode levar à hipertensão. A ingestão de gorduras trans e saturada acima dos níveis indicados pode causar problemas cardíacos.

O macarrão instantâneo com tempero foi um dos que mais chamou a atenção. Dependendo da marca, a pessoa ingere em uma porção até 167% do sódio recomendado para o consumo diário.

A Anvisa comparou 12 marcas de macarrão instantâneo: algumas têm duas vezes mais sódio que outras.

"O consumidor precisa comparar, há fabricantes que já produzem alimentos mais saudáveis", diz Maria Cecília Brito, diretora da Anvisa.

Na análise da gordura saturada, a batata frita foi o alimento "vilão". Também houve, nesse caso, grande variação entre as 28 marcas pesquisadas. Há marcas que contêm até cinco vezes mais gordura saturada que outras.

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação afirmou estar "surpresa" com a divulgação do estudo da Anvisa, porque esperava discutir o tema em um evento na próxima semana.



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Correr uma maratona faz mal ao coração, diz estudo

Correr uma maratona pode machucar o coração, segundo um estudo que acaba de ser apresentado no Congresso Cardiovascular Canadense, que termina amanhã.

A pesquisa, da Universidade Laval, no Canadá, examinou 20 corredores amadores saudáveis algumas semanas antes e 48 horas depois de uma prova. Foram feitos testes de esforço, de sangue e ressonância magnética.

Os exames mostraram alterações no bombeamento sanguíneo e na oxigenação do coração, além de microlesões e inchaço no órgão.

Os piores resultados foram de pessoas com menor índice de absorção de oxigênio pelo teste VO2. Três meses depois, os exames foram repetidos e as alterações tinham desaparecido.

O médico canadense Éric Larose, um dos autores do estudo, disse à Folha que, apesar de reversíveis, as mudanças observadas estão associadas à ocorrência de eventos cardiovasculares.

Segundo o médico Daniel Arkader Kopiler, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, o esforço de uma maratona causa um processo inflamatório reversível, mas preocupante.

"Há a destruição de células do coração e a liberação de enzimas. Isso pode facilitar o surgimento de lesões."

Para o médico Antonio Sergio Tebexreni, professor da Unifesp, em amadores, há uma maior possibilidade de surgirem pequenos coágulos e microlesões no órgão.

"Quanto maior o preparo físico, melhor vai ser a circulação cardíaca e o aproveitamento. O coração trabalha menos para produzir a mesma quantidade de energia."



PARA POUCOS


"Correr uma maratona não é como visitar o shopping. Não é para qualquer um", diz o cardiologista Nabil Ghorayeb. Há três anos, ele coordenou um estudo no Instituto Dante Pazzanese que analisou alterações cardíacas em 70 corredores.

Os resultados mostraram mudanças fisiológicas. "A recuperação acontece, mas é preciso saber que a modalidade pode causar desidratação, hipertermia, arritimias agudas e até crônicas."

Os riscos são maiores em pessoas com doenças cardiovasculares. "Mas a ausência de fator de risco não quer dizer que é permitido", diz. Todos precisam fazer uma avaliação física antes de correr.

Também é recomendado fazer um intervalo. "Não é indicado disputar mais de duas maratonas ao ano."

Por JULIANA VINES

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Treinando com ajuda

Quando se divide o mesmo treino com algum outro sujeito de nível semelhante, a disputa e a competição indireta saudável esta sempre presente, seja para realizar mais uma repetição a mais que o companheiro, utilizar um quilograma a mais ou recrutar melhor um grupo muscular. 

Parceiro de Treinamento

Quando se pensa em treinamento de alta intensidade, para performance, rendimento, preparação para competições ou apenas por objetivos estéticos pessoais, a questão Intensidade está sempre presente.

Sendo assim, por vezes é necessária a utilização de estratégias que tornem o estímulo cada vez mais intenso, quebrando assim a estagnação e garantindo as progressões. Uma destas estratégias é aquela onde se empregam as chamadas "repetições roubadas". Este fabuloso método (muitas vezes mal empregado, de maneira incorreta ou desnecessária, e por sujeitos despreparados) compreende a solicitação neuromuscular de grupos musculares acessórios, para auxiliar o grupo muscular alvo à ter a vantagem mecânica necessária para prosseguir o esforço, no caso, a amplitude desejada, as repetições à mais, e a maior fadiga muscular. 

Outra estratégia comum, porém imprescindível para quem treina realmente intenso, é o fato de ter um auxiliar durante o treinamento. Este auxiliar, mais conhecido como Parceiro de Treino, tem a função de ajudar no momento da Falha Muscular Concêntrica, ou seja, permitir que o companheiro prossiga com sua série por mais algumas repetições, transferindo esta falha muscular para um estágio mais avançado de intensidade, chegando enfim, à Falha Muscular Total. Portanto, todas as outras repetições realizadas até este momento não são mais do que uma via que leva a algum lugar desejado, no caso, a exaustão muscular completa.

Além desta característica apresentada por um parceiro de treino, a questão motivacional também é relevante. Quando se divide o mesmo treino com algum outro sujeito de nível semelhante, a disputa e a competição indireta saudável esta sempre presente, seja para realizar mais uma repetição a mais que o companheiro, utilizar um quilograma a mais ou recrutar melhor um grupo muscular. Esta ambição envolvida com a competição torna o estímulo cada dia mais intenso, e é incrivelmente válida para quem deseja resultados. Sem citar que o parceiro de treino menos apto, com menor tempo de treinamento, ou com nível de força menor, tende a se beneficiar desta parceria, já que o fato de estar sempre abaixo do nível do companheiro obriga-o a evoluir.

Agora quando nos prendemos aos detalhes das repetições com ajuda, devemos saber que esta estratégia trata-se de um Trabalho de Precisão. Ajudar o parceiro de treino no momento da falha concêntrica não é apenas puxar uma barra pra cima. Atletas experientes preferem ignorar uma ajuda mal vinda, por parte de um companheiro amador nesta função. Melhor só do que mal acompanhado! Melhor sem ajuda do que com muita ajuda! A melhor ajuda é a menor ajuda! Sendo assim, destrancar um movimento falho é permitir que a execução siga com a mesma amplitude e intensidade, e não ter pena do ajudado, realizando o esforço que é destinado ao crescimento muscular de quem está realizando a série.

Portanto, vale a pena se policiar e evoluir nos métodos de ajuda. Leve em consideração as melhores maneiras de ajudar, o local onde se posicionar, ter o feeling para perceber o real momento da necessidade em ajudar, a graduação do esforço a ser aplicado, mantendo o equilíbrio e a velocidade do movimento, e preservando sobrecargas desnecessárias em amplitudes inseguras.

Por Prof. Samuel Rosa.

Fonte: http://fisiculturismo.com.br/newsletters/materias/treinos-ajuda.php

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

É muito mais fácil dizer que faz mal tomar suplementos do que buscar em livros e artigos científicos as informações necessárias

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

Competições destinadas à musculação feminina remontam aos anos sessenta, como o Miss Physique e Miss Americana. O primeiro U.S. Women's National Physique Championship foi realizado em Cantão, Ohio em 1978, e é geralmente considerado como o primeiro campeonato de bodybuilding feminino, pois, foi a primeira competição onde as atletas foram julgadas pela muscularidade (TODD, 2006).

Competições começaram a aparecer em 1979. Alguns destas eram as seguintes: o segundo U.S. Women's National Physique Championship, ganho por Kay Baxter; o primeiro campeonato feminino da IFBB Women's World Body Building Championship, de 16 de julho, ganho por Lisa Lyon; The Best In The World contest, ganho por Patsy Chapman. Estas competições geralmente eram realizadas por promotores independentes, ainda faltava um corpo administrativo e o investimento das federações, situação que mudou em 1980 (TODD, 2006).

O NPC financiou as primeiras competições nacionais das mulheres em 1980 nos Estados Unidos. Laura Combes ganhou a competição inaugural. E, em 1980, foi o ano do primeiro Ms. Olympia, na Inglaterra, a competição mais prestigiada para profissionais da área. A primeira vencedora foi Rachel McLish que, também, ganhou o Campeonato do NPC, nos EUA, durante o mesmo ano. Essa competição marca um momento decisivo para o fisiculturismo feminino (TODD, 2006). .

Dentre as fisiculturistas mais conhecidas dos anos 80 citamos: Rachel McLish, Kike Elomaa, Carla Dunlap e Cory Everson. Durante este período, o fisiculturismo feminino começou a alcançar uma maior divulgação. A atleta Anita Gandol foi a primeira fisiculturista a ter pousado para a revista Playboy durante os anos 1980, sua atitude, porém, lhe custou uma suspensão de um ano do IFBB.

Erica Mes, uma competidora holandesa, a seguiu fazendo a mesma coisa. E em seguida, Lori Bowen, vencedora dos Pro World's de 1984, apareceu em um comercial de TV para a empresa Miller Lite. Em 1985 o filme chamado "Pumping Iron II: The Women" foi liberado, nele está documentada a preparação de várias atletas para a competição Caesars Palace World Cup Championship de 1983, são mostradas competidoras importantes como Kris Alexander, Lori Bowen, Lydia Cheng, Carla Dunlap, Bev Francis e Rachel McLish. Francis era uma competidora de powerlifter, que fez uma transição próspera e rápida para o bodybuilding, e se tornou uma das mais conhecidas competidoras do fim dos anos 1980 e início dos anos noventa.

Durante vários anos na década de 80, a NBC divulgou ao vivo o Ms. Olympia no programa do Sportsworld (O Mundo dos Esportes), foi uma época de expansão do fisiculturismo feminino, com uma ampla difusão na mídia. Dos anos 80 até a década de 90 muita coisa mudou: a nutrição esportiva, a suplementação, os modelos de treinamento, os ergogenicos, enfim, as ciências que amparam o treinamento desportivo mudaram muito em questão de décadas.

Se compararmos as atletas dos anos 80, como Cory e McLish, com as atletas dos anos subsequentes teremos o resultado das mudanças a 'olho nú'. Lenda Murray em 1990 acabou com o imperio de Cory Everson (ver fotos das 2 atletas junto a matéria) que durou 6 primeiras colocações no Olympia, a atleta, muito maior, com mais muscularidade, ficou sendo a fisiculturista com mais prêmios no Miss Olympia: 7 primeiros lugares (MISS OLYMPIA GALLERY, 2008). Uma mudança que veio sacudir este esporte, mas ainda vagarosa no Brasil.

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

Fisiculturismo Feminino: Mulheres Musculosas

Por Dra. Patrícia Lessa

Fontehttp://fisiculturismo.com.br/newsletters/materias/fisiculturismo-feminino-mulheres-musculosas.php

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A polêmica de correr descalço

Surgem no Brasil corredores que dispensam os tênis para tentar se proteger de lesões. Mas não há consenso entre os especialistas sobre os benefícios da prática.

Nos Estados Unidos, aposentar os tênis na hora de correr não é mais novidade. Naquele país, mais de 250 pessoas reuniram-se no domingo 10 para a primeira corrida sem calçados de Nova York. O evento é um entre os mais de 60 catalogados pela Sociedade Americana dos Corredores Descalços – entre provas e workshops. Por aqui, observa-se o surgimento de grupos desses corre dores e de pontos de encontro para a troca de informações na internet.

Um dos focos impulsionadores desse movimento está na Universidade de Harvard. Pesquisador do departamento de biologia da evolução humana da instituição e corredor descalço, Daniel Lieberman causou rebuliço ao publicar um artigo na revista "Nature" defendendo os benefícios da corrida sem calçado. Em seu estudo, Lieberman analisou 63 corredores e observou que aqueles que usam tênis tendem a inverter a pisada: em vez de usar o amortecimento natural do corpo, colocando primeiro a parte da frente e central do pé em contato com o chão e só depois o calcanhar, eles iniciam a pisada pela parte de trás do pé. Essa forma de pisar, segundo o americano, está associada a problemas como lesões do músculo tibial (responsável por tracionar o pé para cima). Sua conclusão é de que o corpo já teria as adaptações necessárias para absorver o impacto da corrida e, portanto, não precisaria do amortecimento dos calçados. "É absurda a ideia de que precisamos de um tênis superacolchoado para correr", afirmou à ISTOÉ. Outra referência entre os corredores descalços é o livro "Nascidos para Correr", do jornalista Christopher McDougall, lançado no Brasil neste ano. A obra conta como McDougall se viu livre das lesões após abandonar os tênis. Inspirado pelo exemplo do jornalista e pelas pesquisas de Lieberman, o médico Erik Neves, 40 anos, de Brasília, resolveu começar a treinar descalço. E chamou mais gente. O grupo recém-formado conta agora com cinco pessoas. "No Brasil estamos atrasados no assunto", diz o médico, que montou um blog sobre o tema. Os praticantes contam ainda com a adesão dos usuários dos calçados minimalistas, espécie de sapatilhas para corrida, sem amortecimento. Em Curitiba, o casal Rodrigo Stulzer, 38 anos, e Maria Izabel Valdega, 37, usam. "Sinto menos dores no joelho", diz Rodrigo.



O tema, porém, é controverso. "Não deixo meus alunos treinarem descalços e nem com sapatilhas", diz Marcos Paulo Reis, dono de uma assessoria esportiva em São Paulo. Para Reis, tênis são fundamentais para reduzir o impacto sobre as articulações e evitar lesões. Mais moderado, Júlio Serrão, da Universidade de São Paulo, reconhece a importância do contato direto do pé com o chão. "Sem o tênis, aumenta o trabalho muscular, principalmente dos grupos musculares responsáveis pelo controle de choque, o que é positivo", avalia. Para usufruir desses benefícios, no entanto, ele acredita não ser necessário correr descalço. "Se a pessoa andar descalça em casa, exercita esses músculos." Por isso, ele aconselha a fazer o aquecimento e o relaxamento sem os calçados e, na hora do treino, calçar os tênis. "Criamos a ilusão de que temos uma dependência do calçado e isso não é verdade", considera. "Mas ele é um artigo que ajuda no amortecimento, no controle da temperatura e na distribuição da pressão sobre a planta do pé." Como se vê, a polêmica ainda tem muito fôlego.



Por Rachel Costa

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Superação do efeito sanfona requer manutenção dos bons hábitos

Você finalmente venceu a batalha contra a balança e ficou com um corpo invejável, recebendo muitos elogios. Meses depois, porém, voltou a engordar e viu todo o sacrifício jogado fora. Pois é, foi mais uma vítima do chamado "efeito sanfona", que ataca milhares de pessoas que conquistam o emagrecimento, mas depois de algum tempo voltam a engordar e desanimam.

— O que ocorre é que muitos acham que chegaram ao patamar ideal e podem relaxar na alimentação e nos exercícios físicos — comenta Givanildo Holanda Matias, fisiologista e personal trainer, diretor da microfranquia Test Trainer.

Segundo ele, é preciso estar alerta para que o efeito sanfona não seja recorrente em sua vida e cause problemas estéticos – como flacidez e estrias – e, pior, na sua saúde.

— Aumento na pressão arterial, diabetes, síndrome metabólica, distúrbios hormonais e problemas ortopédicos são alguns dos muitos transtornos de quem sofre com a variação do peso. Crianças e adultos passam pelo problema e é preciso cuidar-se desde cedo — alerta o fisiologista.

Matias dá dicas para quem emagreceu e não quer enfrentar o problema. Ele também ensina quem voltou a engordar a 'entrar na linha' novamente.

Se você não quer passar pelo efeito sanfona:

:: Continue queimando mais calorias do que as consome.

:: Mantenha o equilíbrio entre atividade física, exercício físico e dieta. Atividade física é qualquer tipo de movimento corporal voluntário, como caminhada para a escola, tarefas domésticas e no ambiente de trabalho, que eleve o gasto energético do indivíduo acima dos níveis de repouso. Já o exercício físico é todo movimento realizado com planejamento, programação e objetivo específico, como é o caso de natação, musculação, corrida e ginástica, por exemplo. Você não terá bons resultados se praticar uma hora de exercício físico pela manhã, mas passar o dia todo sentado no escritório. Tente realizar alguma atividade no meio do dia, como uma breve caminhada após o almoço. Também ajuda andar até um ponto de ônibus mais distante, levar o cachorro para passear, varrer a calçada, dançar...

:: Não é porque você emagreceu que pode abusar nos finais de semana. Aquele chopp com pizza pode sim se transformar em quilinhos extras e colocar tudo a perder. Use a lei da compensação: comeu mais em um dia, coma menos e malhe mais em outro.

:: Tenha em mente que o exercício físico faz parte da adoção de um estilo de vida saudável e para sempre. Se você parar de se exercitar, além de ganhar peso, perderá saúde.

:: Evitar vícios como álcool e fumo, ter sono regular e momentos agradáveis de lazer contribui muito para alcançar sucesso em qualquer plano de perda ou manutenção de peso.

:: Mantenha o programa alimentar e físico por pelo menos seis meses – tempo adequado à adaptação do organismo ao novo peso. Tendo atingido o peso ideal, saia de vez em quando da dieta – coma aquele doce desejado ou descanse um dia na semana. Fique atento, porém, a ganhos mínimos de peso e não se deixe levar pela gula – "é só mais uma barrinha" – ou pela preguiça. Atenha-se à matemática do equilíbrio entre a ingestão e o gasto de calorias.

Para quem quer emagrecer e permanecer magro:

:: Se você conseguiu emagrecer uma vez, o que o fez engordar? Mapeie cada passo e siga o caminho inverso!

:: Está na hora de readquirir os hábitos que o fizeram emagrecer: a reeducação alimentar e a adoção de exercícios físicos devem ser adotados aos poucos.

:: A busca pelo corpo perfeito deve incluir a mudança – eliminação, se necessário – do agente causador do aumento de peso. Correr para a academia no verão para tirar o atraso dos abusos do inverno, quando se come mais e se exercita menos que o habitual, é uma atitude de eficiência zero. Quando outro inverno chegar, volta o círculo vicioso.

:: O aumento de peso não é rápido, e assim também não pode ser sua eliminação. Se uma pessoa ganha 15 quilos em dois anos, por exemplo, não pode querer perdê-los em apenas três meses. O organismo e o corpo como um todo trabalham de acordo com o peso da pessoa. Quando ele muda em pouco tempo, o metabolismo demora para se adaptar.

:: A vida familiar pode ser um grande causador do efeito sanfona. Ajude seu filho, marido, irmão, pai ou qualquer outro membro praticando a alimentação balanceada e a reeducação alimentar com ele. Todos têm a ganhar com isso.

:: Dificilmente o indivíduo consegue, sozinho, aumentar o nível de atividade física cotidiana e promover reeducação alimentar. O ideal é consultar um profissional de educação física e um nutricionista para acabar de vez com o efeito sanfona.

:: Quem não pratica exercícios deve passar por uma avaliação física e cardiovascular e começar a frequentar uma academia três vezes por semana, seguindo um programa dinâmico e diversificado de exercícios (atividade aeróbia e exercícios localizados com sobrecarga, de preferência em circuitos de cinco minutos). Outra sugestão é começar a caminhar após o almoço duas vezes por semana.

:: Mude os hábitos progressivamente até abranger a semana toda. Abusos nos finais de semana podem pôr tudo a perder. Mudanças graduais também exigem um certo sacrifício no início – menor do que quando radicais –, mas com o tempo se incorporam ao cotidiano e o organismo terá mais facilidade de adaptação.

:: Evite a falta de tempo como desculpa para não se exercitar. Se preciso, acorde mais cedo ou durma mais tarde, sem, porém, prejudicar a qualidade do sono.

:: Não comece a praticar corrida se você não tem o hábito e nem o interesse. Procure atividades que o agradem: caminhada, natação, bicicleta. Resgate hábitos esquecidos e lúdicos, como brincar com as crianças e sair para dançar.

:: Deixe o carro em casa e evite o ônibus para percursos pouco extensos. O corpo e a mente agradecerão, pois será possível observar melhor os arredores e exercitar a criatividade e a clareza de idéias.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As duas pulgas


Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar.
Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando.

Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele.

Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

Elas então contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu.. . A primeira pulga explicou porquê:

- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E então um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos.
... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar.
Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica?

- Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?

- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.

- Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas. quiseram saber as pulgonas...

- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias

ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse:
"Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança".

 MORAL DA HISTÓRIA:

Você não precisa de uma reengenharia radical, nem de um complexo projeto para ser mais eficiente. 

Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.

Texto de Max Gehringer