segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A transformação dos templos da boa forma

Uma revolução está em curso nas academias brasileiras. Elas mudam para segurar os alunos fujões e receber um novo público, os malhadores com mais de 40 anos

 

Leo Feltran

O Brasil é o paraíso dos templos do culto à boa forma. A cada dia, três academias, em média, são inauguradas em algum ponto do território nacional. Nem os Estados Unidos, o país do fitness, registram um crescimento de tal ordem. Apesar da prosperidade, os executivos da ginástica ainda se debatem com um antigo problema. O que fazer para conquistar a fidelidade dos alunos? Entra ano, sai ano, e a história se repete. Com a proximidade do verão, o número de matrículas sobe 25%. São os malhadores de ocasião, um pessoal que ainda acredita ser possível ter uma silhueta sequinha e músculos torneados de uma hora para outra, como num passe de mágica. Quando o inverno chega, metade deles já abandonou os treinos e só retornará no próximo verão.

Para cortar esse círculo vicioso, as academias costumavam rechear o cardápio da malhação com novidades. Lambaeróbica, kangoo jump, capoeira fitness ou hidroaxé, entre outras tantas invencionices, foram moda por algum tempo, mas logo perderam apelo. Novas aulas continuam a ser inventadas, mas a prioridade agora é transformar o ambiente das academias. Aos poucos, elas ganham ares de clube. Dispõem de quadras ao ar livre, piscinas olímpicas, solarium, lojas, lanchonetes e restaurantes. A decoração da Reebok Sports Club, inaugurada em outubro passado, em São Paulo, por exemplo, leva a assinatura do badaladíssimo arquiteto Sig Bergamin. A idéia é fazer com que o aluno não se sinta numa academia de ginástica.

Além de mudar o entorno, é preciso dar ao aluno a sensação de que ele não precisa pagar a um instrutor particular para ter atendimento personalizado. Um programa de computador italiano, o Technogym System, tem cumprido a missão com maestria – não há quem não se encante com ele. O sistema monitora a performance dos alunos como se fosse um personal trainer digital. Com base nos exames médicos e de condicionamento físico de cada um, os professores montam o programa de exercícios. Todas essas informações são armazenadas numa chave (na verdade, um chip). Inserida em qualquer aparelho de musculação, ela programa o equipamento para funcionar na velocidade, no tempo e com a carga determinada para aquele aluno. Quando o exercício termina, uma mensagem no painel indica qual deve ser o próximo. Algumas das grandes academias criaram também uma rede interna de informações, a ser acessada por instrutores e outros profissionais, com dados referentes a condição de saúde, capacidade física, aspectos psicológicos e estilo de vida de cada aluno. Se ele está em dúvida sobre o que comer depois do treino, por exemplo, basta o atendente da lanchonete consultar a sua ficha para ele receber uma sugestão sob medida.

Pode-se dizer que uma revolução está em curso nas academias brasileiras. E as transformações não têm apenas o objetivo de segurar os alunos fujões e preservar os assíduos. Ocorrem também para receber figuras até então raras nas salas de ginástica e musculação, os homens e mulheres com mais de 40 anos. Nos últimos cinco anos, conforme dados da Associação Brasileira de Academias, o número de alunos nessa faixa aumentou 20%. Um dos indicativos que mostram a força dessa tendência é a mais recente empreitada de Pelé. Até abril de 2004, ele inaugura a primeira das 88 unidades previstas da Pelé Club, a primeira rede de franquia de academias de ginástica da América Latina. Seu público-alvo: os quarentões, cinqüentões, sessentões...

 

Novidades oferecidas por algumas academias
   
 
Fotos Claudio Rossi

DJ, RADIO E TV SOB MEDIDA
Em cabines envidraçadas, DJs determinam o ritmo de vários tipos de atividade ao mesmo tempo: musculação, ioga, boxe ou alongamento. Da mesma cabine também podem sair edições de programas só com informações do mundinho fitness, que vão ao ar nos aparelhos de televisão e rádio da própria academia

 

ESTEIRA COM SOM AO VIVO
A música durante as aulas é tocada por bandas. Dependendo do dia, os alunos suam ao som de samba, axé ou rock

 

BIKE COM LUZ E TELÃO
Spots coloridos e lâmpadas estroboscópicas compõem esta aula de spinnig. A seleção das cores é determinada por cromoterapeutas, que apostam em combinações para acalmar ou agitar. Os alunos ainda têm à disposição imagens de paisagens projetadas em telões de 100 polegadas

 
   

 Fonte: http://veja.abril.com.br/especiais/saude_2003/p_014.html