terça-feira, 29 de março de 2011

Estudo diz que sexo pode matar os menos preparados

Novo estudo ajuda a quantificar risco cardíaco proporcionado pelo sexo.
Atividade se assemelha à corrida quanto a exigência física.

Explosões repentinas de atividade física, de moderada a intensa "como correr ou fazer sexo" aumentam significativamente o risco de um ataque cardíaco, especialmente em pessoas que não se exercitam regularmente, disseram pesquisadores dos Estados Unidos nesta terça-feira.



Há muito tempo os médicos reconhecem que a atividade física pode causar sérios problemas ao coração, mas o novo estudo ajuda a quantificar esse risco, disse o dr. Issa Dahabreh, do Tufts Medical Center, em Boston, cuja pesquisa foi divulgada na publicação da Associação Médica Americana.

A equipe analisou dados de 14 estudos que examinavam a ligação entre sexo e o risco de ataques cardíacos ou morte cardíaca súbita - um ritmo letal do coração que faz com que o órgão pare de bombear o sangue. Eles descobriram que as pessoas são três vezes e meia mais propensas a ter um ataque cardíaco ou uma morte cardíaca súbita quando fazem exercício do que se não fizessem.

Essas pessoas são 2,7 vezes mais propensas a ter um ataque cardíaco quando fazem sexo ou imediatamente depois, em comparação com os que não fazem. (Estas descobertas não se aplicam a morte cardíaca súbita porque não há estudos relacionando sexo e morte cardíaca.)

Jessica Paulus, outra pesquisadora do Tufts que participou do estudo, disse que o risco é moderadamente alto como mostram as pesquisas. Mas o período de risco aumentado é breve. "Esses riscos aumentam somente por um curto período de tempo (uma ou duas horas) durante e depois da atividade física ou sexual", disse Paulus em entrevista por telefone.

Por causa disso, o risco para as pessoas ao longo do período de um ano é ainda bem pequeno, disse ela. "Se você pegar 10 mil pessoas, cada sessão individual de atividade física ou sexual por semana pode ser associada a um aumento de um ou dois casos de ataque cardíaco ou morte cardíaca súbita por ano", afirmou Paulus.

Ela declarou ser importante equilibrar as descobertas com outros estudos que mostram que atividade física regular reduz em 30% os riscos de ataques cardíacos e morte cardíaca súbita. "O que de fato não queremos é que as pessoas deixem isso de lado e pensem que o exercício é ruim", afirmou ela.

O que isso realmente significa é que quando pessoas que não fazem exercícios regularmente começam qualquer programa de atividade devem seguir lentamente, aumentando gradualmente a intensidade dos esforços ao longo do tempo.

Megaestudo desmente teses sobre longevidade

Livro derruba hipóteses sobre comportamentos que aumentam a longevidade.
Crianças extrovertidas morrem mais cedo e as mulheres casadas vivem menos.
Comer vegetais, fazer esportes, não ter muitas preocupações e estar sempre sorrindo podem fazer bem para a saúde. Mas não são indicativos de que você vá viver mais tempo.

A afirmação é dos autores do mais longo estudo já feito sobre a relação entre personalidade e expectativa de vida, o "Longevity Project", da Universidade da Califórnia.

Durante 20 anos, Howard Friedman e Leslie Martin, professores de psicologia da universidade, estudaram os dados de 1.500 pessoas que participaram de uma pesquisa iniciada em 1921, por um psicólogo da Universidade Stanford.

Eles revisaram todos os dados sobre personalidade, estilo de vida, estado de saúde e causa de morte dessas pessoas. E separaram as características prevalentes entre os mais longevos.

Os resultados estão no livro "The Longevity Project: Surprising Discoveries for Health and Long Live from Landmark Eight-Decade Study" (ed. Penguim), que acaba de ser publicado nos EUA e não tem previsão de lançamento no Brasil.

O livro derruba várias hipóteses sobre comportamentos que aumentariam a expectativa de vida. Não foi achada relação entre hábitos alimentares e vida mais longa, por exemplo.

"O mais surpreendente foi descobrirmos que as pessoas mais felizes e extrovertidas na infância morreram mais cedo. É o oposto do senso comum sobre longevidade", disse à Folha Leslie Martin.

Além da sabedoria popular, estudos científicos também associam a felicidade à boa saúde. "A questão é que esses estudos são de curto prazo. O nosso trabalho é o primeiro que relaciona dados por um período tão longo."

Segundo a psicóloga, a característica predominante na infância dos que viveram mais tempo com saúde foi o senso de responsabilidade.

"Eram crianças mais sérias e mantiveram essa característica de forma consistente durante a vida. Nossa hipótese é de que elas evitavam comportamentos de risco e cuidavam mais de seu bem-estar e o do próximo", explica a psicóloga.

Ela acrescenta que essa personalidade não significa vida "certinha" sem graça. "Os registros mostram que foram pessoas criativas, intelectualmente ativas e que construíram carreiras e redes de relacionamento muito interessantes."

Felizes sozinhos

Outro resultado intrigante do estudo foi o peso do casamento na expectativa de vida. Algumas pesquisas mostram que pessoas casadas são mais saudáveis e, teoricamente, vivem mais.

"Em nossa pesquisa, isso foi verdade para os homens. Para mulheres, o casamento não aumentou nem diminuiu a expectativa de vida", afirma Martin.

O divórcio também não influenciou o tempo de vida das mulheres, independentemente de elas terem ou não encarado outro casamento.

Martin explica que vínculos afetivos influenciam positivamente a saúde, mas o principal é a qualidade dos relacionamentos.

"As pessoas que viveram mais não foram as que tiveram mais amigos. E mulheres que terminaram um casamento que não estava indo bem tiveram uma ótima e longa vida após o divórcio."

Por Iara Biderman

segunda-feira, 28 de março de 2011

Viagem Interior

O caminho para seus músculos crescerem a mil – e sem lesões – passa pela resposta de quatro perguntas-chave sobre a filosofia do seu treino. 

NESTES ÚLTIMOS 25 ANOS COMO PREPARADOR FÍSICO, passei boa parte do tempo em parques, academias, salas de ginástica e quadras poliesportivas, treinando centenas de atletas, inclusive estrelas da NBA e da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano). Sempre ouvi demais a pergunta: "Quanto você levanta no supino?" Ora, o que isso importa? Quando se trata de um treino sério, há coisas muito mais importantes a perguntar. Questionamentos – como estes ao lado – que, se acompanhados de respostas certas, ajudam quem malha a construir músculos e a eliminar o risco de lesões. Está pronto para ter mais força e alto desempenho na malhação? Faça um mergulho em você mesmo!

Você aguenta dez remadas invertidas?

Você já ouviu isto: se não fizer exercícios dinâmicos com o peso do corpo, como paralelas e barras, seus músculos não vão se desenvolver o quanto poderiam. Recomendo: aposte suas fichas na remada invertida. Ela fortalece a parte posterior dos ombros e a superior das costas. Os músculos dessas regiões, geralmente negligenciados, opõem-se diretamente aos que são recrutados no supino. É preciso manter a harmonia entre eles. Se você se exercitar muito mais no supino do que na remada, as unidades musculares do peito ficarão fortes e as da parte de trás do tronco fracas. Resultado: brechas para lesões e uma postura estranha – seus ombros ficarão "caídos". Como saber se você corre perigo? Quem não consegue executar dez repetições do exercício abaixo tem grandes chances de estar com um desequilíbrio. Para entrar no eixo, faça duas séries de remada para cada uma de supino (ou de outro exercício similar, como o fly). Não precisa ser no mesmo treino, basta ter ambos na sua rotina. Como fazer: segure a barra (fixada no batente ou no Smith) e deixe os calcanhares no chão, mantendo as pernas esticadas. Flexionando os cotovelos, leve o peito até o acessório, pare dois segundos e volte à posição inicial.

Você agacha o bastante?

Quando pergunto a um "rato" de academia se ele agacha até as coxas ficarem paralelas ao chão, sempre recebo um "sim"como resposta. Então eu vou lá e o observo malhando. Minha reação é sempre igual: "Será que o fulano sabe o significado de 'paralelo?'" A maioria dos malhadores agacha pouco. E mesmo os que flexionam os joelhos consideravelmente pecam no seguinte: param de abaixar assim que a parte de trás das coxas fica paralela ao solo. O certo é cessar a fase excêntrica (da descida) só quando a parte dianteira (os quadríceps) estiver nessa posição. Sim, faz diferença. Promova o teste. Parece exagero, preciosismo, mas, quando se trata de desenvolver músculos, cada centímetro é fundamental: quanto maior a extensão de um movimento, mais fibras você irá ativar – e maior ficará. Um agachamento raso exige menos esforço e gera resultado menos significativo. Posto isso, não conte apenas com um espelho para ter certeza de que seu treino está no caminho certo. Coloque um acessório, como uma caixa de 40 a 50 centímetros (conforme sua altura), atrás de você. Se você não tocar a caixa em cada repetição, não está agachando o suficiente. Como fazer: fique de pé com os calcanhares bem em frente da caixa. Inicie o movimento levando o quadril para trás. Flexione os joelhos para descer o corpo até que suas nádegas toquem levemente o topo do acessório. Então volte à posição inicial. Não deixe em nenhum momento os joelhos ultrapassarem a ponta dos pés.

Você abandonou a flexão?

Espero que sua resposta seja "não". Como passei muito tempo treinando atletas (caras fortes, musculosos, mas com agilidade, flexibilidade e explosão), sempre preferi os exercícios que utilizam o peso do corpo, caso da flexão de braços, aos com pesos "montados", como o supino. Além de trabalhar o peitoral e o tríceps, a flexão mexe com o core e com quase toda a parte superior do corpo. Isso faz dela um dos movimentos mais eficientes para turbinar a musculatura do tronco. Você se acha muito forte para gastar tempo com flexões? Tente o desafio que passo a meus atletas: fique na posição de flexão, mas ponha os pés sobre um banco. Peça para alguém colocar uma anilha de 10 kg nas suas costas, na altura das escápulas (omoplatas). Agora tente fazer 20 movimentos perfeitos. Até que consiga passar no teste, não há motivos para você brindar sua forma física nem se gabar de ser o "rei" do supino. Como fazer: mantenha o corpo rígido em linha reta dos tornozelos à cabeça. Abaixe-se como uma estrutura única até seu nariz ficar rente ao chão. Volte à posição inicial, em que os braços ficam esticados. Quer incrementar o desafio? Faça o exercício com as mãos na parte reta de um bosu (uma meia esfera de PVC). Assim, acrescenta-se o elemento instabilidade, forçando os músculos do core e do ombro a trabalharem ainda mais.

Quantas barras você consegue fazer?

No supino é comum medirmos nosso desempenho com base no peso que erguemos. Mais carga, mais malhado estamos. Já na barra, o que vale são as repetições, uma vez que não se trabalha com halteres, só com o peso do corpo (salvo casos em que se usam tornozeleiras pesadas). Se eu aguento mais movimentos de subida e descida que o cara do lado, estou melhor que ele. Mas, por mais que esses dois exercícios pareçam tão diferentes nesse sentido, cientistas australianos descobriram relações interessantes entre eles. Para turbinar o treino e evitar lesão, você deve ter performance parecida nas flexões na barra e no supino. Sabia que problemas nos ombros são mais comuns em quem registra um melhor desempenho no supino do que na barra? Para checar seu preparo, faça quantas barras puder. Em seguida, use a "mesma carga" no supino e execute o máximo de repetições. Vamos supor que você tenha 80 kg e consiga completar cinco barras. Seu equilíbrio de força está ideal se você suportar em torno de cinco repetições de supino com 80 kg. Agora, se executar dez repetições com essa carga, você tem muito mais força no supino. Como fazer: segure a barra com as palmas voltadas para você, mantendo entre as mãos uma distância similar à largura dos ombros. Pendure-se com os braços esticados. Erga o corpo até o queixo ultrapassar a barra. Retorne à posição inicial.

Texto de Michael Boyle

Fotos: Beth Bischoff