domingo, 17 de abril de 2011

O peso do som - Parte 1

Se você estiver ouvindo a música certa, sem desempenho na malhação pode aumentar em até 20%. Inspire-se em nossos treinos musicados e dê volume a seus músculos.

Oliver Bertram e Grit Brüggema Fotos: Dietrich Halemeyer Ilustrações: Jeremy Enecio


O fundista etíope Haile Gebrselassie atribui sua lista de recordes mundiais nas corridas de longa distância ao hit dançante dos anos 90 Scatman (Ski BA Bop Ba Dop Bop). Acredite: há muito mais que um "fundo" de verdade nisso. Costas Karageorghis, psicólogo do esporte e vice-diretor de pesquisas da Universidade de Brunel, em Londres, há 20 anos vem pesquisando o poder da música na vida de atletas amadores e profissionais. Segundo o inglês, ao malhar ouvindo o som correto, você:

• melhora o humor, ganha motivação e reduz medos e cansaço;

• usa com mais eficiência a energia;

• apura concentração e foco;

• coloca-se mais rapidamente no que os cientistas chamam de "fluxo natural", em que as ações no treino parecem ocorrer automaticamente;

• eleva a performance em até 20%.

Para tanto, você precisa ser estratégico ao montar sua playlist. É fundamental haver um casamento perfeito entre a cadência da música (o número de batidas por minuto – bpm), o seu ritmo cardíaco e o tipo de treino. Ou seja, existe uma música adequada para quem está fazendo supino com a pulsação a 75% da FCM (Frequência Cardíaca Máxima, obtida pela conta: 220 – a idade).

Um exemplo que ilustra bem a peculiaridade dessa história: quando o atleta chega a 80% da FCM num plano de resistência, as batidas da música precisam subir consideravelmente, segundo Karageorghis. Essa é a zona de esforço em que o corpo atinge a barreira anaeróbica e o metabolismo muda a forma de produzir energia. "Nesse momento, crítico para o desempenho, o corpo procura por uma batida mais rápida para ganhar motivação", explica.

Karageorghis chegou a um consenso quanto ao número de batidas por minuto que uma música deve ter a fim de turbinar a malhação: mais de 100 e menos de 150. Qualquer coisa além não terá efeito – e pode até ser contraproducente. Mas, usando a ciência, o papo é outro. "Estudos comprovam que, com a música em sincronia com o treino, o corpo utiliza 7% menos oxigênio para atingir o mesmo resultado."

Outras variáveis relevantes nesse contexto são a melodia, a harmonia, a tonalidade e a mensagem da música. Dependendo da sua criação, você pode se dar melhor com dance music do que com heavy metal. Não há regra. "Os homens, em geral, são ativados pelo rock; as mulheres, pelo pop", diz o psicólogo.

Antes de você "soltar o som", uma ressalva. Se você treina sempre com esse estímulo, ele enfraquece. "Eu recomendaria uma rotina de dois treinos musicados, seguidos de um não musicado", finaliza.

Bom, chega de conversa. A seguir você encontra três treinos e gráficos para inspirá-lo a malhar sem nunca sair do tom. É só fazer um teste com um monitor cardíaco, registrar os resultados e achar a música certa.