quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Como correr uma maratona


Gabrielle Andersen "quebrou" durante a maratona, se superou e fez história

Historicamente, a maratona é uma das provas mais dramáticas do atletismo. Quem não se lembra da emocionante chegada da atleta suíça Gabriele Andersen, nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984? Gabriele "quebrou" durante o percurso, mas fez questão atravessar a linha de chegada, mesmo  cambaleando, porque, aos 39 anos, aquela era a última chance dela de concluir a prova numa olimpíada.

"Quebrar" nos 42.195 metros de uma maratona é relativamente comum. Quem corre certamente já ouviu relatos de amigos que contam: "Eu estava bem até o quilômetro 30 e depois comecei a me arrastar. Eu tinha fôlego, mas me faltaram as pernas…". Eu mesmo já quebrei e posso relatar que é muito difícil continuar correndo, ainda que mais devagar, para completar esta prova. É uma experiência frustrante.

Apesar da dificuldade, é possível correr uma maratona de forma bem prazerosa, do começo ao fim e, apesar do inevitável cansaço no final, terminar a corrida em boas condições, inclusive acelerando um pouco o ritmo nos últimos quilômetros. Da mesma forma que já tive a experiência negativa de quebrar, também pude realizar uma maratona bem agradável, do começo ao fim. Lembro-me mais desta segunda prova do que daquela em que fui "pifando" e me arrastando até a linha de chegada.

Qual o segredo para não "quebrar"? Temos de adotar uma estratégia que promova duas alterações importantes em nosso metabolismo durante a maratona:

1-    Minimizar a queima de glicogênio (reserva energética dos músculos). Temos um estoque limitado desse importante combustível e, quando forçamos o ritmo, queimamos bem mais glicogênio;

2-    Maximizar a queima da gordura. O corpo humano possui uma reserva muito abundante de gordura, suficiente para percorrer mais de 100 quilômetros. No entanto, para queimar este combustível é preciso ir mais devagar.

Portanto, correr uma maratona de forma estratégica requer muita frieza. O corredor definirá o que vai acontecer na prova nos primeiros 10 quilômetros, justamente quando se encontra ansioso, motivado e descansado. É nesse momento que ele pode queimar seus estoques de glicogênio e assim quebrar no final. Ou então ser mais cauteloso, minimizando a queima dos carboidratos e otimizando a queima das gorduras. E uma grande vantagem de economizar no começo para gastar no final é que acabamos mais inteiros e a "viagem" fica bem gostosa.

Para saber mais:

Rapoport, B I. Metabolic factors limiting performance in marathon runners. PLoS Computational Biology, October 2010, Volume 6, Issue 10.

Por Renato Dutra