segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ingerir pouco sal também faz mal à saúde, sugere novo estudo


Consumir uma quantidade moderada de sal seria mais saudável do que ingerir muito pouco ou excesso de sódio, informam pesquisadores em um estudo que com certeza irá acender o debate sobre os efeitos cardíacos do sal na dieta.

Os médicos têm advertido que a ingestão elevada de sal aumenta o risco de hipertensão e outros problemas cardíacos. Ainda que se saiba que reduzir o consumo de sal diminui a pressão, uma ampla revisão de estudos publicada este mês sugeriu que reduzir o consumo de sal não melhoraria necessariamente a saúde da população em geral.
Especialistas da McMaster University, no Canadá, descobriram que pessoas que consumiam uma quantidade moderada de sal tinham menor risco de desenvolver problemas cardíacos, enquanto que aqueles que tinham dietas com alto conteúdo de sal apresentavam mais riscos de derrames, ataque cardíaco e outros eventos cardiovasculares.
Por outro lado, os participantes do estudo que ingeriam dietas com baixo teor de sal corriam mais risco de morte por cardiopatia e de hospitalização por insuficiência cardíaca, informa o artigo publicado no Journal of the American Medical Association.
"Nossos resultados destacam a importância de reduzir a ingestão de sal naqueles que consomem dietas ricas nesse elemento, e a necessidade de diminuir o teor de sódio nos alimentos industrializados que têm muito sal", diz Salim Yusuf, um dos líderes do trabalho. "No entanto, para aqueles com ingestão moderada, ainda é uma pergunta sem resposta se uma maior redução de sal na dieta seria benéfica", acrescenta. Segundo os pesquisadores, a melhor forma de estabelecer isso seria com testes clínicos mais amplos.
Uma colherada
Para o estudo, a equipe avaliou os níveis de sódio e potássio encontrados numa amostra matutina de urina de quase 30 mil voluntários em dois ensaios clínicos. Após cerca de quatro anos, aproximadamente 16% dos participantes tiveram algum tipo de evento cardíaco. Os autores observaram a correlação entre o consumo de sal e o risco de problemas para o coração.
Como visto em estudos anteriores, a ingestão elevada e sal - entre 7 e 8 gramas de sódio por dia - foi nociva para a saúde do coração. Mas um consumo muito baixo - menos de 3 gramas por dia - também significou maior risco de morte por problemas no coração e de hospitalização por insuficiência cardíaca.
Os autores assinalam que os resultados podem desafiar os guias de alimentação nos Estados Unidos, que recomendam consumir menos do que 2,3 gramas de sódio por dia, ou 1,5 gramas para as pessoas que correm mais riscos de hipertensão ou doenças cardíacas.
Uma colherada de sal, ou aproximadamente 5 gramas, contém 2,3 gramas de sódio. Em um comentário na mesma publicação, o especialista Paul Whelton, da Tulane University, diz que os resultados do estudo deveriam ser lidos com precaução, e sinaliza problemas com a forma com que os cientistas estimaram a ingestão de sal com base em uma única amostra de urina.
Whelton disse que o aumento dos eventos cardíacos no estudo estaria relacionado a doenças subjacentes. Em geral, segundo ele, os argumentos científicos pró redução da quantidade de sal nos alimentos industrializados continuam sendo fortes e a "evidência disponível não justifica o desvio da meta estabelecida de diminuir a exposição ao sódio na dieta na população geral".
A pressão arterial elevada é um dos principais gatilhos de enfartes, derrame e outras doenças cardiovasculares, as quais em conjunto representam a maior causa de morte no mundo e custam a vida de mais de 17 milhões de pessoas a cada ano.