quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pesquisas questionam quantia ideal de sal para a saúde do coração.

Pouco sódio poderia ser tão prejudicial quanto o excesso. Pesquisadores defendem consumo moderado


Muito sal aumenta a pressão arterial; pouco, pode interferir nos níveis de colesterol e fazer mal















Para pessoas com doenças cardíacas ou diabetes, comer com pouco sal pode representar risco tanto quanto comê-lo em grande quantidade, informam pesquisadores.
A redução de sal é muito importante para pessoas que consomem mais de 6000 ou 7000 miligramas de sódio por dia, diz Martin O'Donnell, autor de um estudo publicado na edição de novembro do periódico Journal of the American Medical Association.
Pessoas que já consomem quantidades moderadas de sal, porém, podem não precisar reduzir o consumo, acrescentou O'Donnell, professor associado da Universidade McMaster, em Hamilton, Ontario, no Canadá.
"Estamos percebendo que pode haver uma quantidade moderada ideal de sal que as pessoas devem consumir", diz John Bisognano, professor de medicina e diretor de cardiologia ambulatorial do Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova York .
"Isso é reconfortante para quem segue uma dieta moderada com a utilização do condimento".
Bisognano não estava envolvido com o estudo, que foi financiado pela empresa farmacêutica Boehringer Ingelheim.
Depois de anos insistindo que as pessoas deveriam reduzir a ingestão de sal, os especialistas recentemente começaram a debater se a diminuição é realmente boa para todos.
Outro trabalho descobriu que a menor excreção de sódio (essa é uma forma de medir a quantidade de sal consumido) foi associada a um aumento do risco de mortes relacionadas ao coração, enquanto a excreção de sódio superior não estava ligada ao aumento dos riscos de pressão arterial ou complicações do coração em pessoas saudáveis.Um estudo recente descobriu que apesar da redução do sal fazer baixar a pressão arterial, também pode aumentar os níveis de colesterol, triglicérides e outros fatores de risco para doenças cardíacas.
No entanto, no último estudo, os resultados foram um pouco diferentes. Esses autores analisaram a quantidade de sódio e potássio que foram eliminados na urina em um grupo de cerca de 30 mil homens e mulheres com doença cardíaca ou de alto risco para doença cardíaca. Os participantes foram acompanhados, em média, por mais de quatro anos.
Neste estudo, os níveis de excreção de sódio que estavam maiores ou menores do que a faixa moderada foram associados ao risco aumentado. Por exemplo, pessoas que eliminaram níveis mais altos de sódio do que aquelas com valores médios tiveram risco maior de morte por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), ataque cardíaco e hospitalização por insuficiência cardíaca, diz o relatório.
Por outro lado, pessoas que excretaram níveis inferiores à média estavam em risco aumentado de morte por doença cardíaca e hospitalização por insuficiência cardíaca. Quando os pesquisadores avaliaram os níveis de potássio, descobriram que um nível mais elevado de excreção do nutriente foi associado a um menor risco de acidente vascular cerebral.
"A importância da ingestão de potássio precisa ser enfatizada, uma descoberta que pode ser perdida na discussão sobre o sódio", argumenta O'Donnell, que também é professor associado da Universidade Nacional da Irlanda, em Galway.
"Dietas ricas em frutas e vegetais também são ricas em potássio."
Não está claro se essas descobertas – que surgiram a partir de uma população já com alto risco de problemas cardíacos – também podem ser aplicadas para reduzir as populações de risco.
"Eles estão realmente olhando para o mais doente dos doentes. Como isso se aplicaria a todos nós?", questionou Daniel Anderson, professor assistente de medicina na Universidade de Nebraska.
"Fico preocupado como vamos interpretar isto no sentido de que muito pouco sódio é uma coisa ruim."
Bisognano concorda. "Mas nós não queremos passar a mensagem de que as pessoas devem acrescentar mais sal à comida a partir deste momento", diz o professor.
A quantidade ideal de sódio consumida é apenas um aspecto da saúde do coração, fala Karen Congro, diretora do Programa Bem-Estar para Vida no Hospital Brooklyn Center, em Nova York.
"Você tem que fazer intervenções de estilo de vida", afirma a especialista.
As novas orientações dietéticas americanas recomendam que pessoas acima de dois anos de idade tenham como limite de ingestão diária de sódio menos de 2300 miligramas (mg).
Pessoas com idades acima de 51 anos, negros e qualquer indivíduo com diabetes, pressão alta  ou doença renal crônica devem considerar reduzir o consumo para 1500mg por dia, dizem os especialistas. Estima-se que o americano médio consuma 3400 miligramas de sódio por dia.