terça-feira, 20 de março de 2012

Aula de Circo conquista espaço nas escolas e academias



Apesar de novo, mercado de Aulas de Circo é promissor e deve ser a grande tendência para esta nova década podendo ser bem explorado e aproveitado pelo profissional de educação física. 


Os profissionais de educação física passaram a enxergar o circo como novo campo de trabalho. O diretor pedagógico da Trupe Educação & Picadeiro, Tiago Aquino Costa e Silva, conhecido popularmente como Professor Paçoca, conta que em São Paulo mais de 32 escolas hoje já oferecem atividadecircense nas aulas de educação física ou extracurriculares, envolvendo cerca de 1300 crianças e jovens de educação infantil, fundamental e médio. Paçoca ressalta que os Parâmetros Curriculares Nacionais da educação básica no País apontam que a disciplina de educação física deve trabalhar cinco aspectos: esportes, jogos e brincadeiras, ginásticas, artes e lutas e também expressão artística e dança, que pode incluir a atividadecircense.

O professor e pesquisador de atividade circense, Alípio Rodrigues Pines Junior, lembra que o profissional de educação física atua neste segmento não só como professor, mas muitas vezes envolve também empreendedorismo, desenvolvendo projetos de atividades circenses, conhecido popularmente como aulas de circo. Os projetos podem ser realizados além do âmbito escolar como em academias, condomínios, associações, entre outros. “Apesar de novo, este mercado é promissor e deve ser a grande tendência para esta nova década”, afirma Alípio. O pesquisador ainda frisa que o mercado é amplo e que pode ser bem explorado e aproveitado pelo profissional de educação física. No entanto, este deve se preparar através de cursos específicos para área. Durante as graduações em Educação Física, poucas universidades oferecem atividadecircense na grade curricular.

Os benefícios das Aulas de CircoAs modalidades circenses podem ser trabalhadas com crianças a partir dos dois anos de idade. Mas algumas atividades exigem um pouco mais. As aulas de aéreo em tecido, por exemplo, só a partir dos seis anos de idade. E os malabares devem ser trabalhados com crianças acima de 10 anos de idade, pois a coordenação motora fina só está desenvolvida nesta fase.

Um melhor desenvolvimento da coordenação motora fina é um dos benefícios que a aula de circooferece. Mas não para por aí. As aulas circenses trabalham com diversos aspectos motores, como coordenação motora global, equilíbrio e oclomanual, no qual os olhos acompanham com facilidade os objetos em movimento. As capacidades físicas como velocidade, agilidade, resistência cardiovascular, resistência e força muscular também ganham espaço nas modalidades de circo, em modalidades como acrobacias no solo. O equilíbrio é fundamental para atuar com pés de lata, pernas de pau, rolo e slackline, que nada mais é que uma fita que imita a corda bamba.

Os benefícios das aulas de circo também englobam os aspectos psicológicos como autoconhecimento e superação dos medos. O professor conta que na primeira aula cerca de 30% dos alunos preferem não subir. Mas com o tempo, todos conseguem superar seus medos e passam a se sentir a vontade na modalidade.

Os aspectos sócio-afetivos também estão envolvidos como cooperação, socialização, interação, ajuda mútua e criação de vínculo afetivo. O professor Paçoca exemplifica que alunos mais altos ou acima do peso, que muitas vezes não têm sucesso em vários esportes, facilmente se adaptam aocirco e ganham consciência corporal. “Diferente, por exemplo, da ginástica, que é muito próxima das acrobacias de solo, não há um padrão a ser alcançado, são exploradas a criatividade corporal das crianças”, explica o professor. No tecido, as crianças envolvidas no projeto “Trupe Educação & Picadeiro” criaram mais de 180 figuras diferentes. E atualmente, as publicações da área apresentam apenas 36 figuras nesta modalidade.
Por Alice Schmitt, jornalismo Portal EF