sexta-feira, 4 de maio de 2012

Skate ganha o mundo acadêmico


Treinos são acompanhados por estudantes e serão utilizados para estudos científicos sobre o esporte.

Digo realiza exercí­cios que foram criados pela equipe de preparadores .

Os skatistas viviam de uma dieta baseada em pizza e hambúrguer, lesões por todo o corpo e da vontade de alcançar a melhor manobra todos os dias. O objetivo ainda é o mesmo, mas os esportistas do ABC, na Grande São Paulo, têm agora apoio universitário para provar que o esporte pode ir além da imagem amadora das ruas.

Desde setembro, uma equipe de oito atletas recebe treinamento físico e assistência de psicólogos e nutricionistas da Universidade Metodista, em São Bernardo. O preparador físico do grupo, Denis Foschini, afirma que a iniciativa é inédita na categoria.

“Começamos o trabalho sem parâmetro porque é a primeira vez no mundo que se monta uma equipe de apoio para skatistas. Por isso contamos também com a faculdade de saúde da Metodista”, disse o preparador.

Os treinos são acompanhados pelos universitários, que preparam estudos sobre lesões e os hábitos dos praticantes do esporte. Para a preparação física, Foschini desenvolveu aparelho para trabalhar equilíbrio e resistência no skate. O próximo passo será a montagem de uma pista em um dos campus da universidade.

A equipe é formada por nomes conhecidos dos apreciadores da modalidade, como Edgard Vovô, quarto brasileiro a fazer o looping e um dos criadores do projeto, e Rodrigo Menzes, o Digo, primeiro campeão mundial do país. A idade dos competidores é bem variada. O caçula é Leo Ruiz, 17 anos, único amador da equipe, e o mais experiente é Lécio Batista, o Neguinho, 39 anos.

No mês passado, o grupo participou do Circuito Mundial WCS (World Cup Skate Boarding) Vertical Profissional 2012. A equipe da universidade acompanhou os atletas. “Nosso quarto parecia uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de tanto aparelho médico”, conta Digo Menzes.

Neguinho diz que os outros atletas ficaram assustados. “Levamos alguns tombos que muita gente achava que não daria para competir mais. Mas recebíamos atendimento e já estávamos bons para o dia seguinte.”

Skatistas se adaptam à rotina

São três treinos físicos, uma visita ao psicólogo e outra à nutricionista toda a semana, além das manobras diárias nas pistas.

A alimentação, com cardápios individuais para cada atleta, substituiu boa parte da junk food por proteínas, legumes, carnes e verduras. A rotina parece não se encaixar no mundo desregrado do skate. Mas os atletas não reclamam.

“Isso tudo pode até parecer mais careta, mas prefiro assim. Se tivesse essa estrutura no início da minha carreira, teria sido campeão mundial”, diz Lécio Batista, o Neguinho. Digo Menezes completa. “E eu não teria sido uma vez, mas três vezes campeão.”

Os atletas não têm curso superior. Esta é a primeira vez que convivem com o mundo acadêmico de um campus. “Confesso que fiquei meio assustado com tudo isso. Treinei 15 anos nos Estados Unidos, mas não tinha a estrutura que tenho hoje. Tenho prazer de vir aqui treinar”, disse Digo. O atleta conseguiu ganhar 5 kg desde que iniciou a preparação.

O coordenador do grupo, Denis Foschini, afirma que alguns atletas nunca tinham experimentado parte dos alimentos introduzidos no cardápio. “Conversei com skatista que consumia todos os dias pizza e hambúrguer, não conhecia nem o gosto de alimentos mais nutritivos.”