terça-feira, 31 de julho de 2012

Phelps where?



Por Antonio Prata.




Sábado os jogos começaram oficialmente e, diante do mar de competições simultâneas, resolvi fazer meu début pela ginástica artística. Parecia-me uma opção acertadamente conservadora: assim como o sujeito que vai à Paris quer ver logo a torre Eiffel, assistir àqueles caras rodopiando em barras e argolas seria ideal para me botar no clima olímpico. Ledo engano. Saí da deslumbrante Arena North Greenwich mais confuso do que qualquer outra coisa.

Posso estar errado, mas a minha primeira impressão é que Olimpíada é como pizzaria de bairro, um negócio mais voltado pro delivery do que pro salão. Enquanto você aí, diante da TV, no conforto do seu lar, ouvia algum especialista dizer que a reversão lateral invertida é um dos movimentos mais difíceis nas barras paralelas e já arriscava comentários como o spinning de calcanhar desse ucraniano tá bem mais ou menos, não, amor?, eu forçava a vista e me perguntava será que esse baixinho no cavalo é o Diego Hypólito?, peraí, o de verde é brasileiro ou australiano?!



A organização sabe que o público não está familiarizado com muitas das modalidades aqui disputadas pelo menos, não ao vivo. Por isso há a tentativa de aproximar ao máximo a experiência in loco da experiência televisiva. Quando os ginastas entram, toca uma música bem Rocky Balboa, e uma trilha sonora de ação ou suspense surge em vários momentos, ajudando a criar tensão nos espectadores.



Durante a prova, uma narradora explica pelos autofalantes o que está acontecendo, mas como tudo é disputado ao mesmo tempo argolas, solo, barra, barras paralelas e salto nem sempre o esportista de quem ela está falando é aquele para quem o pessoal está olhando. Às vezes ela diz veja como o italiano inicia bem seu movimento de solo, e todos estão aplaudindo entusiasticamente a aterrissagem do chinês das barras paralelas. (A aterrissagem, aliás, é a única coisa que o pessoal sabe avaliar: caiu retinho, o público explode em comemoração, deu aquele passinho de bêbado pro lado, e um condolente ohhh ecoa pela arena.)

Portanto, meu caro, se você é um fã de esporte sofrendo por não estar aqui, relaxe. Pode parecer que a pessoa na arquibancada está vivenciando um momento único, vendo um homem nadar 50 metros mais rápido do que qualquer outro já nadou em toda a história da humanidade, mas talvez ela esteja é perguntando pro sujeito ao lado: Rodolfo, qual que é o Phelps?, O Phelps, Marlene? O Phelps não é só na próxima bateria?!, Não, é agora! Falaram que era na raia 4!, Contando daqui pra lá ou de lá pra cá?, Ah, aí eu já não sei. Pergunta pra moço!, Plis, mister, mister: Phelps, where, hein?.