sábado, 6 de abril de 2013

Correr é melhor para saúde do que caminhar


Pesquisa compara os efeitos da atividade física moderada e vigorosa para a saúde

Mulher correndo no parque Battersea, em Londres, na Inglaterra

Mulher correndo no parque: pesquisa mostrou que quem corre cerca de 20 km por semana terá benefícios superiores se a atividade for realizada mais intensamente
São Paulo - Há muitos motivos para correr e nosso objetivo aqui não é levantar todos eles. Mas vamos pensar em uma hipótese: e se a saúde fosse sua única motivação fazer atividade física e você pudesse obter os mesmos benefícios da corrida, apenas caminhando? Você mudaria seus treinos?
Um grande estudo australiano tem respostas sobre os efeitos das atividades físicas sobre dois dos principais problemas de saúde, a hipertensão e a depressão. Resumo para os impacientes: quem corre cerca de 20 km por semana terá benefícios superiores se a atividade for realizada mais intensamente do que aqueles que fazem o mesmo volume apenas de forma moderada.
O estudo coletou dados durante um período de 12 anos entre mais de 11 mil mulheres nascidas entre 1946 e 1951. As mulheres relataram o tempo gasto caminhando rapidamente e fazendo atividades de lazer moderadas, como natação recreativa, golfe e jardinagem. Elas também registraram atividades adicionais, que os pesquisadores classificaram como um treino vigoroso, incluindo a corrida.
Um recurso interessante deste estudo é que os pesquisadores controlaram o volume global da atividade. Isto é, eles compararam os níveis de atividade semelhantes entre as mulheres que fizeram apenas atividades moderadas e mulheres que fizeram atividades moderadas e vigorosas. Desta forma, dizem os pesquisadores, eles foram capazes de eliminar a possibilidade de que quaisquer benefícios extras encontrados nas mulheres que tivesse feito exercícios vigorosas eram resultados das mulheres simplesmente terem passado mais tempo se exercitando.
Os níveis de atividade das mulheres foram calculados pela escala MET minutos por semana. "MET" significa "equivalente metabólico", que é uma maneira de comparar a energia gasta em atividades diferentes. Mesmo quando estamos sentados temos o valor de gasto de 1 MET. Ao andar em um ritmo bom, temos o valor de 3 METs, ou seja, gastamos três vezes mais energia andando do que sentado. Correndo 1,6 km em 10 minutos (10km por hora) temos o valor de 10 METs. Os METs acumulados em uma semana totaliza a quantidade de tempo que você gasta em vários níveis de gasto energético. Por exemplo, se você fez na semana passada três caminhadas de 30 minutos e correu cerca de 6 km ao ritmo de 10 km por hora, seus minutos MET para a semana seria de 1.870 (30 x 3 METs para cada uma das três caminhadas, além de 40 x 10 METs para cada um das quatro corridas). Orientações indica que para benefício da saúde entre adultos o índice mínimo alcançado deveria ser no mínimo entre 500 a 1.000 minutos METs por semana.
No estudo australiano, ambos os grupos de mulheres ativas tinham muito menos incidência de hipertensão e sintomas de depressivos do que as mulheres não-ativas da mesma idade. Além disso, os pesquisadores descobriram que, em níveis mais baixos de atividade geral, as mulheres que incluíram a atividade vigorosa tiveram resultados de saúde apenas um pouco melhores do que as mulheres que realizaram apenas uma atividade moderada. Apenas no nível mais elevado de atividade geral considerados no estudo mulheres acima de 2.000 METs minutos por semana, o benefício extra de atividade vigorosa foi estatisticamente significativa.
Por uma questão de matemática simples, considerar que correr 20 km por semana a 10 km por hora nos da 2.000 minutos MET por semana. Se isso representa uma semana típica de atividade física em sua vida, então você tem uma redução de risco ligeiramente maior para sintomas de hipertensão e depressão do que alguém que faz o mesmo volume mas em apenas treinos moderados.